Apenas uma pequena parte da população mundial é fluente em cinco línguas ou mais. Somente as pessoas que fazem parte desse grupo seleto poderiam participar de um estudo recente conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores. A pesquisa examinou como regiões específicas do cérebro associadas à linguagem se comportam quando você escuta diferentes idiomas.

Os pesquisadores examinaram o cérebro de 25 poliglotas. Dentre eles, 16 eram hiperpoliglotas, que sabem mais de seis idiomas. E um participante, em específico, falava 54 línguas.

Segundo os pesquisadores, poucos estudos são focados em quem fala múltiplos idiomas. Contudo, estudar esse grupo pode ajudar os linguistas a entender a “rede de linguagem” humana, um conjunto de áreas cerebrais especializadas em relacionar sons e significados.

Os voluntários ouviram gravações de 16 segundos em um conjunto personalizado de idiomas. No total, eram oito línguas para cada participante: três idiomas que o voluntário entendia, quatro desconhecidos e a sua língua nativa. Dos idiomas estranhos, dois tinham relação com a primeira língua do participante (por exemplo, português para alguém que fala espanhol), enquanto as outras duas eram de famílias linguísticas completamente desconhecidas.

Os clipes usados eram trechos narrados da Bíblia ou de Alice no País das Maravilhas, lidos por falantes nativos do idioma em questão. No total, foram usados áudios de mais de 50 idiomas.

Usando ressonância magnética, eles mediram o fluxo sanguíneo no cérebro durante o experimento, e perceberam que o sangue corria para as mesmas regiões do cérebro, independente de qual idioma era ouvido.

Os poliglotas, então, não usavam partes diferentes do cérebro para línguas diferentes, mas pareciam usar a mesma rede básica para tentar compreender o que escutavam.

Já a atividade cerebral mudava de acordo com o entendimento do idioma. Quanto mais familiar o idioma, mais forte a resposta. A atividade cerebral também foi intensa com idiomas desconhecidos, porém relacionados à língua materna. Uma hipótese é que o cérebro tenha se esforçado mais para decifrar aquelas palavras que soavam familiares, mas não eram conhecidas.

O único teste que fugiu do padrão foi o de língua nativa. As redes cerebrais responsáveis pela linguagem não ficaram tão ativas quanto nas outras línguas conhecidas, fossem os voluntários fluentes nelas ou não.

Isso sugere que é necessário menos esforço para processar os idiomas que aprendemos no início da vida.

Segundo os pesquisadores, pode ser consequência da diminuição da quantidade de energia demandada por uma tarefa conforme o tempo nos torna mais experientes nela.

“Esses resultados contribuem para nossa compreensão de como várias línguas coexistem em um único cérebro e fornecem novas evidências de que a rede seletiva de linguagem responde mais fortemente a estímulos dos quais mais significados linguísticos podem ser extraídos”, escrevem no artigo.

Os pesquisadores querem continuar investigando como os cérebros dos poliglotas funcionam, e descobrir se sua habilidade é treinada ou se há algum talento natural envolvido. Segundo eles, entender o que é necessário para aprender uma língua pode levar a ferramentas melhores para ajudar as pessoas a reaprenderem seus próprios idiomas com mais facilidade após um derrame ou dano cerebral.


Via Superinteressante

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