Nosso cérebro muda quando aprendemos uma nova língua

Nosso cérebro muda quando aprendemos uma nova língua

Pesquisa acompanhou evolução de 15 voluntários no aprendizado de japonês; fluxo sanguíneo em regiões do cérebro atingiu pico nas primeiras oito semanas de aulas

Aprender um idioma do zero exige esforço, concentração e disciplina. E o nosso cérebro trabalha de forma mais intensa durante o início desta empreitada. É o que descobriu recentemente uma equipe de neurocientistas da Universidade de Tóquio, no Japão.

Eles acompanharam um grupo de 15 pessoas que se mudaram para Tóquio e começaram a ter aulas de japonês por três horas por dia — elas nunca tinham tido contato com a língua antes nem visitado o país asiático.

Todos falantes de idiomas europeus, os voluntários foram avaliados por dois testes de leitura e escuta, que, segundo os pesquisadores, seriam mais adequados para a análise objetiva de acertos e erros em comparação a uma prova de fala e escrita.

O primeiro foi realizado cerca de oito semanas após o início das aulas. A segunda avaliação aconteceu entre 6 e 14 semanas depois disso.

Enquanto respondiam às questões de múltipla escolha, os participantes estavam dentro de um scanner de ressonância magnética para que o fluxo sanguíneo de suas regiões cerebrais fosse observado. Esse fluxo é um indicador de atividade neuronal e, de acordo com o autor principal do estudo, Kuniyoshi Sakai, é possível medir a evolução da habilidade linguística a partir do rastreamento de ativações cerebrais.

Regiões responsáveis pela linguagem

Os neurocientistas estiveram atentos a quatro regiões cerebrais que estão relacionadas ao uso de línguas (nativas ou não). São elas: o centro gramatical e a área de compreensão, ambas no lobo frontal esquerdo, e as áreas de processamento auditivo e de vocabulário, localizadas entre os lobos temporal e parietal.

Nos lobos occipitais estão também as áreas de visão e de memória do hipocampo, que se mostraram ativas durante os testes e têm importância para sustentar as quatro regiões.

Publicados no periódico Frontiers in Behavioral Neuroscience, os resultados apontaram que no primeiro teste houve aumentos significativos no fluxo sanguíneo nessas áreas do cérebro, o que indica o esforço dos voluntários pelo reconhecimento de palavras e sons do novo idioma.

Nas questões de leitura, os participantes acertaram cerca de 45%, em comparação aos 75% de precisão constatados nos testes de escuta. A avaliação auditiva ativou o hipocampo anterior e posterior, respectivamente relacionados ao registro de novas memórias e à recordação de informações já armazenadas.


Via Revista Galileu