Pelo mesmo motivo que os falantes de português podem achar complicado dominar o “th” do inglês ou o “ch” do alemão: cada grupo linguístico tem pronúncias que são tipicamente suas e funcionam como uma espécie de senha sonora, chamada xibolete. Ele difere do sotaque porque não é apenas um traço fonético qualquer, mas um som ou palavra usado deliberadamente como teste para identificar quem pertence ou não a um grupo – diferente de particularidades do sotaque em si, como o “r” carregado dos franceses tanto quanto o “r” enrolado dos americanos –, e pode ser reconhecido mesmo quando o indivíduo não está falando outro idioma.

A própria palavra xibolete tem origem em uma passagem do Velho Testamento, na qual duas tribos semitas estavam em guerra, os efraimitas e os gileaditas. Ao conquistarem os primeiros, os gileaditas passaram a guardar os acessos ao Rio Jordão para evitar que os dominados escapassem e obrigassem os passantes a falar “xibolete” – palavra que, no dialeto efraimita, virava “sibolete” – Ela passou a significar, na linguística, aquilo que identifica o falante de uma língua.

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