Já sei falar inglês, qual outro idioma posso aprender?
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Já sei falar inglês, qual outro idioma posso aprender?

Quem procura por trabalho ou está tentando crescer em sua carreira já se deu conta de uma coisa: falar inglês já não é, há muito tempo, um fator diferenciador. Dominar esta língua já deixou de ser um extra a ser adicionar ao currículo para se tornar o mínimo exigido em qualquer oportunidade de emprego.

Por exemplo, segundo um estudo da Adecco, uma a cada três ofertas de trabalho exige um idioma estrangeiro e em 92% dos casos esse idioma é justamente o inglês. Diante desta realidade, como se destacar profissionalmente? Conhecer um segundo idioma estrangeiro tem cada vez mais peso na hora de diferenciar-se no competitivo mercado de trabalho.

“Falar outros idiomas traz benefícios cognitivos e intelectuais, assim como socioeconômicos”, resume Roberto Cabezas, diretor da Universidad de Navarra. “Abre oportunidades tanto para responder a questões intelectuais e práticas como para conseguir maiores ganhos financeiros”. A importância de aprender ao menos um idioma estrangeiro já não é discutida, ainda que o nível exigido seja constante objeto de debate. No Brasil, apenas 5% da população fala uma segunda língua e menos de 3% têm fluência na língua inglesa.

O domínio do inglês entre os brasileiros é tão baixo que o país ocupa a 41ª colocação em um ranking de 70 países, é o que mostra um estudo desenvolvido pela EF Education. A empresa de educação mediu a proficiência em 910 000 adultos do mundo todo (que não têm o inglês como língua nativa) em quesitos como gramática, vocabulário, leitura e compreensão. Os primeiros colocados na lista são: Suécia, Holanda e Dinamarca. O Brasil aparece atrás de países como Cingapura, Peru, Equador, México e Chile. A contradição está no fato de “tecnicamente, o nível de dificuldade do aprendizado de inglês para um brasileiro ser considerado fácil pelos linguistas”, diz Arthur Bezerra, country manager da Berlitz no Brasil.

Mas eu já domino o inglês, e agora?

Diante do domínio do inglês, que outro idioma estudar? Essa é uma questão frequente, porém a decisão vai depender, em primeiro lugar, das motivações pessoais de quem quer voltar aos estudos. A língua a ser escolhida pode ser pela atração gerada pela cultura de um país específico, pela tradição familiar ou pelo simples desejo de derrubar fronteiras falando quantos idiomas seja possível.

O motivo mais habitual, sem dúvida, é o desejo de progredir profissionalmente. E quanto mais se cresce na hierarquia de uma empresa, mais frequente é a necessidade de conhecer outras línguas. “Cerca de 55% das ofertas de trabalho para cargos de diretoria declaram a necessidade de um segundo idioma estrangeiro”.

Não há outra língua, como o inglês, que permeie todo o mercado de trabalho: é o idioma dos negócios, mas também da ciência e do mundo digital, além de ser imprescindível em setores como o de turismo e marketing… Escolher qual segunda língua estrangeira estudar dependerá do setor, ramo, atividade e até mesmo da empresa que cada um queira direcionar seus próximos passos profissionais. “Minha primeira recomendação é assegurar-se de possuir um nível de inglês excelente. Depois, escolher os idiomas que mais portas abram em casa caso. Isso está totalmente relacionado aos objetivos e planos de cada pessoa”, aconselha Salvador Sicart, que menciona o alemão como opção “porque a Alemanha segue sendo o país mais forte da Europa e não é fácil encontrar pessoas que dominem  seu idioma”.

O caso da Espanha

O ensino da língua alemão cresceu muito nos últimos anos em toda a Europa, principalmente devido às crises econômicas em outros países, como Espanha e Grécia, quando centenas de jovens imigraram para a Alemanha em busca de uma oportunidade de trabalho. “É um idioma com muita força, ainda que quase todas as vagas disponíveis naquele país para imigrantes sejam operacionais e quase nunca para direção ou gerência”, diz Roberto Cabezas, da UNAV.

Também tem especial interesse em setores em que empresas alemãs possuem grande atuação, como na automação, explica Neus Margalló, da Infojobs. E apesar da sua dificuldade e da necessidade de se empenhar por quatro ou cinco anos para dominar a língua, é o segundo idioma (atrás apenas do inglês) mais procurado por jovens espanhóis, segundo o CIS.

Em disputa com o alemão aparece o francês, a segunda língua estrangeira mais falada na Espanha. É um idioma associado à diplomacia, mas também a setores como hotelaria, saúde e comércio, uma opção evidente tanto pela tradição de estudar francês no colégio como pelo simples motivo geográfico, pois a Espanha faz fronteira com a França, e isso certamente estreita relações entre empresas dos dois lados.

“Com o Brexit, muitos europeus creem que surgirão mais oportunidade de trabalho em países como França e Alemanha”, explica o diretor do Centro Superior de Idiomas da Universidad Complutense, Jorge braga. “O alemão é mais difícil de aprender e muitos alunos chegam com uma base de francês do colégio”.

Outras opções estão relacionadas aos países emergentes, aprender russo, chinês e árabe. “Temos notado um grande aumento do interesse por essas línguas, que são línguas de grandes civilizações e ao mesmo tempo de países que crescem cada vez mais, caso da China”, afirma Caridad Baena, vice-diretora da Escola de idiomas Jesús Maestro, em Madrid.

Roberto Cabezas, da UNAV, acrescenta outra alternativa: “O hindi. É interessante por motivos demográficos e econômicos. A Índia será o mais com mais habitantes do mundo em alguns poucos anos e apenas por isso este idioma terá uma importância ainda maior no contexto global”.

Além da motivação profissional, situa-se algo muito mais difícil de resumir em uma lista: o simples gosto por aprender idiomas. Há quem estude sueco porque se encanta com a cultura daquele país, estrangeiros que aprendem português pelas oportunidades de trabalho em Portugal ou por interesse nas novelas brasileiras, também há quem se aventure no japonês porque é apaixonado por mangá e quem estude grego pois é fascinado pela cultura helênica. “Escolher que idioma estudar é algo muito pessoal e os motivos são diversos”, resume Caridad Baena.

Há quem estude para crescer profissionalmente e quem estude pelo simples prazer de aprender e entender mais da cultura de determinado povo ou país, o importante é estar motivado!

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