O francês é uma língua românica com cerca de 80 milhões de falantes nativos no mundo. É língua oficial em 26 países, a maioria dos quais integra a chamada La Francophonie, a comunidade dos países francófonos. É uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas e língua oficial de grande número de organizações internacionais.

O francês descende do latim falado através do Império Romano, como também o são outras línguas nacionais como o italiano, o português, o espanhol, o romeno e o catalão, e línguas minoritárias como o provençal, o romanche e muitas outras.

Seus parentes mais próximos são as demais langues d’oïl e as línguas crioulas baseadas no francês. Seu desenvolvimento também foi influenciado pelas línguas celtas nativas da Gália antes da chegada dos romanos e pela língua frâncica dos invasores francos após a partida dos romanos.

Adicionalmente, do século XVII a meados do século XX, o francês serviu como a linguagem preeminente da diplomacia e de assuntos internacionais, bem como a língua franca entre as classes educadas da Europa. A posição dominante da língua francesa só recentemente foi tomada pela inglesa, desde a emergência dos Estados Unidos como superpotência.

Qual a língua mais falada na França?

Claro que a língua mais falada na França é o francês. Entretanto, muitas outras línguas são ouvidas pelas ruas, principalmente da capital Paris, por razão da grande imigração. Alguns exemplos são o árabe, espanhol e inglês.

A língua francesa evoluiu da língua vulgar latina, usada durante o Império Romano. Acredita-se que esta língua tenha se originado na região norte da atual França e gradualmente evoluiu para o francês antigo e o francês médio, respectivamente. Hoje, o francês moderno faz parte da família das línguas indo-europeias, no ramo das línguas românicas.

Como língua oficial, o francês é a principal forma de comunicação usada pelo governo e pelo sistema educacional. Além disso, a Lei Toubon (1994) obriga o uso do francês em diversas situações, como contratos de trabalho, publicidade, instruções de produtos e documentos oficiais; outros idiomas podem aparecer, desde que acompanhados do francês. Esta língua é também uma das línguas oficiais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), das Nações Unidas e da União Europeia.

Línguas regionais da França

Em 1999, um relatório do linguista Bernard Cerquiglini para o governo francês listou 75 “línguas da França”, contando as da França metropolitana e as dos departamentos e territórios ultramarinos.

Na França metropolitana, as línguas regionais pertencem a grupos diferentes: românicas (occitano, catalão, corso, franco-provençal e as langues d’oïl, como o picardo e o normando), germânicas (alsaciano, frâncico da Lorena e flamengo), celta (bretão) e o basco, que não tem parentesco conhecido com nenhuma outra língua.

Uma das línguas regionais mais faladas na França é o Occitano (língua occitana), que pode ser ouvida em toda a região sul do país. Os primeiros textos em occitano são do século X, e ele foi a língua dos trovadores medievais. No século XIX, o poeta Frédéric Mistral, Nobel de Literatura em 1904, e o movimento Félibrige trabalharam para revalorizar a língua e padronizar sua escrita.

Línguas imigrantes faladas na França

Além do grande número de línguas regionais faladas na França, uma grande variedade de línguas de imigrantes também se tornou uma parte importante da vida cotidiana do país. As línguas de imigrantes mais faladas na França incluem inglês, alemão, italiano, português, polonês, turco, árabe magrebino, berbere e vietnamita.

Segundo dados do Insee (instituto de estatística francês) de 1999, o árabe magrebino é a língua de imigrantes mais falada na França. O árabe magrebino, às vezes conhecido como árabe ocidental, tem origem e é falado principalmente na Argélia, Marrocos, Líbia e Tunísia.

De onde surgiu a língua francesa?

Antes da chegada dos romanos, a maior parte do território da atual França era habitada pelos gauleses, povos celtas. Com a conquista romana, no século I a.C., o gaulês foi aos poucos, ao longo de alguns séculos, substituído pelo latim popular, junto com as práticas culturais e as instituições políticas romanas.

Na Idade Média, formaram-se dois grandes grupos de falares: as langues d’oïl, ao norte do rio Loire, e as langues d’oc, ao sul. Por razões econômicas, políticas e culturais, a língua do norte, a da região de Paris, prevaleceu e deu origem ao francês atual. Em 1539, a Ordenação de Villers-Cotterêts tornou o francês a língua dos documentos oficiais do reino, no lugar do latim.

No início do século XVII, François de Malherbe triunfou ao definir uma norma exata para usar palavras francesas em suas obras poéticas e críticas. Um passo decisivo foi a fundação da Académie française pelo cardeal Richelieu, em 1635, encarregada de fazer um dicionário da língua (a primeira edição saiu em 1694). Durante o reinado de Luís XIV, o idioma alcançou o ponto culminante de sua história, convertendo-se em língua internacional da Europa, sobretudo no âmbito diplomático e científico.

Durante o colonialismo entre os séculos XVII e XX, a língua francesa expandiu as fronteiras, tornando-se presente em diversos lugares do mundo, como na América, África, Polinésia, Sudeste Asiático e Caribe. O império colonial francês atingiu sua maior extensão no período entre as duas guerras mundiais.

Hoje, o francês tem cerca de 80 milhões de falantes nativos e quase 400 milhões de falantes no total, contando os que o usam como segunda língua ou língua estrangeira, segundo a Organização Internacional da Francofonia (2026). É língua oficial em 26 países e uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas, além de uma das duas línguas de trabalho do Secretariado da ONU, ao lado do inglês.

Quem regula a língua francesa?

Na França, a principal referência para a norma da língua é a Académie française (Academia Francesa), fundada por Richelieu em 1635, sob o reinado de Luís XIII. É uma das mais antigas instituições francesas. No Québec, o órgão de referência é o Office québécois de la langue française (OQLF).

A Académie française reúne escritores, filósofos, cientistas e outras personalidades da cultura francesa. Foi criada em 1635 por Richelieu, o principal ministro e o homem-forte do reinado de Luís XIII.

Fechada em 1793, durante a Revolução Francesa, foi novamente instituída por Napoleão Bonaparte, em 1803. É a mais antiga das 5 academias que compõem o Instituto da França. A Académie compõe-se de quarenta membros conhecidos por Immortels (“Imortais”), e os novos membros são eleitos pelos próprios acadêmicos. Uma vez ingressado em seus quadros, ali permanece por toda a vida.

Por que estudar francês?

O francês é a língua da diplomacia e de uma das mais celebradas literaturas da história, não tem apenas charme e sofisticação, mas é um idioma valorizado que abre muitas portas no mercado de trabalho.

Quais são os países que falam francês?

Países que têm o francês como língua oficial:

  • Bélgica
  • Benim
  • Burundi
  • Camarões
  • Canadá
  • República Centro-Africana
  • Chade
  • Comores
  • Costa do Marfim
  • República Democrática do Congo
  • Djibuti
  • Guiné Equatorial
  • França
  • Gabão
  • Guiné
  • Haiti
  • Luxemburgo
  • Madagascar
  • Mônaco
  • República do Congo
  • Ruanda
  • Senegal
  • Seychelles
  • Suíça
  • Togo
  • Vanuatu

Países onde o francês é língua de trabalho, administrativa ou de uso corrente, sem ser oficial (Burkina Faso, Mali e Níger tiraram do francês o status de língua oficial entre 2023 e 2025):

  • Argélia
  • Burkina Faso
  • Camboja
  • Laos
  • Líbano
  • Mali
  • Marrocos
  • Maurícia
  • Mauritânia
  • Níger
  • Tunísia
  • Vietnã

Outras regiões e dependências francófonas:

  • Vale de Aosta (Itália)
  • Guiana Francesa (França)
  • Polinésia Francesa
  • Guadalupe
  • Guernsey
  • Jersey
  • Luisiana (EUA)
  • Maine (EUA)
  • Martinica
  • Mayotte
  • Nova Caledônia
  • Puducherry (Índia)
  • São Bartolomeu (França)
  • Saint-Martin
  • Saint-Pierre e Miquelon (França)
  • Wallis e Futuna

Fontes: Organização Internacional da Francofonia, Académie française, Relatório Cerquiglini (1999) e Wikipédia (Língua francesa, Langues de France)

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