A língua portuguesa é complexa, isso é inegável. São muitas regras e exceções para decorar, muitos tempos verbais para conjugar e assim por diante. Mas alguns erros são gravíssimos e assustam por demonstrarem total desconhecimento do idioma (algo que usamos “apenas” todos os dias).

Ninguém está livre de cometer erros gramaticais, mesmo com os corretores automáticos dos computadores e smartphones, mas você sabe quais são os erros de português mais graves e que, mesmo assim, muita gente comete?

Selecionamos aqui 10 erros gramaticais mais comuns. Eles estão nas redes sociais e, pasmem, em ambientes corporativos e acadêmicos também. Confira cada um e preste atenção para não prejudicar sua reputação cometendo esses deslizes, seja na vida pessoal ou profissional. Afinal, a qualidade do texto diz muito sobre a cultura geral de uma pessoa.

Mais ou Mas

Esta é uma dúvida bem comum e que muitas pessoas insistem em errar na hora de escrever.

  • Errado: Quero acordar cedo, mais durmo tarde todos os dias.
  • Correto: Quero acordar cedo, mas durmo tarde todos os dias.

Explicação: “Mas”, sem “i”, é uma palavra usada principalmente como conjunção adversativa e possui o mesmo valor que “porém”, “contudo” e “todavia”. Transmite uma ideia de oposição ou limitação, como no exemplo acima.

Dica: “Mais”, com “i”, é uma palavra usada principalmente como advérbio de intensidade, transmitindo uma noção de quantidade ou intensidade maiores, ou como conjunção aditiva, transmitindo uma noção de adição e acréscimo. Tem sentido oposto a menos. Exemplos: Aquele vinho é o mais caro do mercado. / Cinco mais três são oito.

Porques

“Porque” ou “Por que”. Junto ou separado? Veja a resposta correta abaixo.

  • Errado: Não a encontrei ontem por que fui malhar em horário diferente.
  • Correto: Não a encontrei ontem porque fui malhar em horário diferente.

Explicação: “Porque”, junto e sem acento, é uma conjunção e serve para ligar duas ideias, duas orações. É usado quando a segunda parte apresenta uma explicação ou causa em relação à primeira.

Já a forma “por que”, separado e sem acento, é um advérbio interrogativo de causa e é usada quando pedimos por uma causa ou motivo, não necessariamente em uma frase que termine com ponto de interrogação.

Dica: Se tiver dúvida, substitua o “por que” da frase por “para que”, “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais” ou inclua a palavra “razão” logo depois. Exemplo: Este é o caminho por que (pelo qual) passamos. / Não sei por que (razão) ele desistiu de tudo.

Porquê ou Por quê

“Porque” ou “por que”. E agora com o acento? É junto ou separado? Veja a resposta correta abaixo.

  • Errado: Ela se demitiu, não sei porquê.
  • Correto: Ela se demitiu, não sei por quê. / Ela se demitiu, não sei o porquê.

Explicação: “Porquê”, junto e com acento, substitui as palavras razão, causa ou motivo. É um substantivo e, como tal, tem plural e pode vir acompanhado por artigos, pronomes e adjetivos. A palavra é geralmente antecedida de artigo “o” ou “um”.

Dica: Use a expressão “por quê”, separado e com acento, quando ela estiver no fim da frase, seja pergunta ou não. Exemplos: Não aprovaram a proposta e não sabemos por quê./ Não temos o resultado da concorrência. Por quê?

Agente ou A gente

“Agente” ou “a gente”? O serviço secreto não é o mesmo que nós?

  • Errado: Agente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.
  • Correto: A gente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.

Explicação: “A gente” é uma locução que equivale à palavra nós e deve ser conjugada na terceira pessoa do singular, como na frase acima.

“Agente” é um substantivo comum e se refere à profissão de alguém. É aquele que age, que exerce alguma ação.

Dica: James Bond é o agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico. / Concurso oferece vagas para agente da polícia federal.

Voçê ou Você

“Voçê” ou “você”? A diferença é pequena, mas o erro é grande.

  • Errado: Voçê foi ótimo hoje!
  • Correto: Você foi ótimo hoje!

Explicação: O uso da cedilha pode causar confusão por ser foneticamente igual ao C, porém, existe uma regra primordial que pode amenizar essa confusão: não se usa cedilha antes das vogais “I” e “E”.

Para mim ou Para eu

“Para mim” ou “para eu”? Veja quando usar o “mim”, o famoso pronome pessoal oblíquo tônico.

  • Errado: Veja se tem algum erro para mim corrigir.
  • Correto: Veja se tem algum erro para eu corrigir.

Explicação: “Eu” é um pronome pessoal reto, devendo ser utilizado quando assume a função de sujeito. Assim, “para eu” deve ser usado sempre que se referir ao sujeito da frase e for seguido de um verbo no infinitivo que indique uma ação.

“Mim” é um pronome pessoal oblíquo tônico, sendo utilizado quando assume a função de objeto indireto, devendo estar sempre precedido por uma preposição. Dessa forma, “para mim” deve ser usado quando for complemento de um verbo transitivo indireto.

Exemplo: Você trouxe a roupa para mim? / Pensei que esse embrulho tivesse chegado para mim.

Menos ou Menas

“Menos” ou “menas”? Esse é um dos erros ortográficos e gramatical mais bizarro nessa lista.

  • Errado: Hoje fiquei menas cansada que ontem.
  • Correto: Hoje fiquei menos cansada que ontem.

Explicação: “Menas” é uma palavra que não existe na língua portuguesa. A única forma correta de escrita é “menos”, e, em geral, se opõe a “mais”.

Sempre que nos referirmos a algo ou alguém em menor número, menor quantidade, ou em uma posição inferior, devemos utilizar a palavra “menos”. É correto dizer: menos vezes, menos vestidos, menos cerveja, menos calorias, a menos.

Meio ou Meia

“Meio” ou “meia”? Cuidado para não perder suas meias nessa dúvida…

  • Errado: Ela ficou meia chateada depois da conversa.
  • Correto: Ela ficou meio chateada depois da conversa.

Explicação: “Meio” pode ser advérbio de intensidade e numeral fracionário e é aí que surge a confusão. Como advérbio, tem sentido de “um pouco” e se apresenta vinculado a um adjetivo, não varia: meio cansada, meio distraído, meio metida, meio maluco.

Como numeral, virá vinculado a um substantivo e concorda com o gênero (feminino e masculino): meio litro, meia xícara, meio pote, meia hora.

A fim ou Afim

“A fim” ou “afim”? Veja a resposta correta abaixo.

  • Errado: Ele está muito afim da minha prima.
  • Correto: Ele está muito a fim da minha prima.

Explicação: As locuções “a fim de” e “a fim de que” exprimem ideia de finalidade e podem ser substituídas por “para” e “para que”, respectivamente.

Exemplo: Fez de tudo a fim de (para) nos convencer da sua inocência./ Os pais economizaram durante anos a fim de (para que) que o filho estudasse no exterior.

Ainda se usa a locução “a fim de” no sentido de “com a intenção de”, “com vontade de”.

Exemplo: Não estava a fim de conhecer pessoas naquele dia. (não tinha vontade de conhecer, não tinha intenção de conhecer)

Dica: Na linguagem informal, “estar a fim de alguém” é ter interesse afetivo pela pessoa, como no primeiro exemplo. O adjetivo “afim” é empregado para indicar que uma coisa ou pessoa tem afinidade com a outra. Na maior parte das vezes, o adjetivo aparece no plural. Exemplo: Os dois tinham ideias afins (parecidas).

Nada a ver ou Nada haver

“Nada a ver” ou “nada haver”? Qual pode causar um erro gramatical?

  • Errado: Esse tipo de música não tem nada haver comigo.
  • Correto: Esse tipo de música não tem nada a ver comigo.

Explicação: O verbo haver está frequentemente associado a existir, por isso, é comum que algumas pessoas achem que uma coisa não coexiste com outra e utilizam “nada haver”.

“Nada a ver” é a forma correta de escrita desta expressão e é a forma negativa da expressão “ter a ver”. Sinônimos: não ter relação com, não corresponder, não dizer respeito a.

Observação: Existe a expressão “não ter nada a haver”. Embora pouco usada, significa não ter nada a receber, nada a reaver, referindo-se ao ato de não ter quantias monetárias para serem recebidas. Exemplo: Já não tenho nada a haver de meus clientes.

Senão ou Se não

“Senão” ou “se não”? Junto ou separado? Ambos podem estar corretos?

  • Errado: Senão estudar, não irá tirar boas notas.
  • Correto: Se não estudar, não irá tirar boas notas.

Explicação: Para dar a ideia de “caso não estude”, como no exemplo acima, o certo é utilizar a forma separada. Perceba que é possível encaixar um pronome reto (sujeito) entre o “se” e o “não”: Se ele não, não irá tirar boas notas. Faça o mesmo quando tiver dúvida.

“Senão”, em uma só palavra, tem vários significados: de outra forma, mais do que, do contrário, aliás, a não ser, menos, com exceção de, mas, mas sim, mas também, defeito, erro, de repente, subitamente.

Exemplos: Devemos estudar, senão (do contrário) não iremos passar de ano./ Não lhe resta alternativa senão (a não ser) procurar por um médico.

Dica Extr: Separar sujeito e predicado!

  • Errado: O resultado do jogo, não o abateu.
  • Correto: O resultado do jogo não o abateu.

Explicação: O sujeito da frase – substantivo que pode ser substituído por um pronome pessoal reto (eu, tu, ele, nós…) – não pode ser separado do verbo por vírgula.

Exceção: Quando o sujeito é oracional, permite-se o uso de vírgula. Exemplo: Quem ama cuida. / Quem sabe ensina.

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