As cores não servem apenas para descrever o mundo visível, em italiano, elas carregam emoções, histórias e visões de mundo inteiras. Expressões como essere al verde, passare la notte in bianco ou vedere rosso fazem parte do italiano falado todos os dias e revelam, cada uma a sua maneira, um fragmento da cultura italiana: tradições medievais, episódios históricos, crenças populares e a vivacidade de uma língua que transforma o concreto em metáfora com naturalidade invejável.

Segundo os linguistas, as expressões idiomáticas com cores são uma das “lentes” mais reveladoras para observar e decifrar os traços que distinguem a cultura de um povo, e por isso são expressões que muitas vezes não têm equivalente direto em outras línguas.

Verde (Verde)

Avere il pollice verde (Ter o polegar verde) – ter habilidade natural para cuidar de plantas, ter “mão verde” ou “ter mão boa para plantas”. Em Portugal usa-se “ter o polegar verde”, tradução literal do italiano e do inglês (green thumb / green fingers).

Essere nel verde degli anni (Estar no verde dos anos) – os anos da infância e da juventude, a mocidade. Em italiano há a expressão essere nel verde degli anni, que significa estar no auge da juventude, com toda a vitalidade e vigor da idade jovem, equivale a “estar na flor da idade”.

Benzina verde (Gasolina verde) – gasolina sem chumbo. O nome verde não é metafórico, a gasolina sem chumbo era literalmente colorida com pigmento verde para distingui-la da benzina rossa, a gasolina com chumbo. Hoje, mesmo sem coloração, o nome permanece no uso comum na Itália.

Essere al verde (Estar no verde) – estar sem dinheiro, estar duro, não ter um centavo. A origem mais documentada e aceita remonta à Florença do século XVI. Em leilões públicos, uma vela com base pintada de verde funcionava como cronômetro, quando a chama chegava à parte verde, o tempo das ofertas encerrava e quem estava “ao verde” não tinha mais recursos para participar.

Vedere i sorci verdi (Ver ratos verdes) – passar por uma situação muito difícil, perigosa ou assustadora. Na forma ativa ti faccio vedere i sorci verdi, equivale a uma ameaça: “vou te mostrar do que sou capaz”, “você vai ver o que é bom”. A palavra sorcio é o equivalente romanesco de topo (rato). A origem está ligada à Regia Aeronautica na década de 1930, uma esquadrilha famosa usava como símbolo três ratos verdes pintados nos aviões, ver esses aviões significava que um ataque estava por vir, daí o sentido de perigo extremo.

Carta verde (Carta verde) – certificado internacional de seguro automotivo que comprova a cobertura de responsabilidade civil ao circular em outros países. O nome vem da cor verde do documento, que o identificou por setenta anos. Desde julho de 2020 o certificado passou a ser emitido em preto e branco, e desde 2025 pode ser apresentado em formato digital. O nome carta verde, porém, permanece no uso cotidiano dos italianos.

Croce verde (Cruz verde) – organização de voluntários para socorro de urgência a feridos e doentes, com caráter laico, apolítico e popular. Surgiu em Florença como derivação laica da antiga Compagnia della Misericordia, confraria de assistência de origem medieval, e depois se difundiu por toda a Itália. Não se trata de uma organização única: cada cidade tem a sua própria Croce Verde, autônoma e independente. Muitas delas integram hoje a ANPAS, a associação nacional das entidades de assistência pública. O equivalente mais próximo no Brasil seria o SAMU voluntário ou as associações locais de socorro.

Dare il segnale verde (Dar o sinal verde) – autorizar, permitir que alguém faça algo. Dare luce verde e Dare il via libera são frequentes no uso cotidiano. A expressão vem do sistema de sinalização (ferroviário e rodoviário), onde o verde indica permissão para avançar. Equivalentes em português: dar sinal verde, dar o aval ou simplesmente “autorizar”.

Essere verde dall’invidia – ficar verde de inveja, estar roído de inveja. A forma mais frequente é verde d’invidia, mas verde dall’invidia também é correto, especialmente em construções como diventare verde dall’invidia. A expressão existe de forma quase idêntica em italiano, português, inglês (green with envy) e outras línguas europeias, todas com a mesma origem: a teoria humoral do médico grego Hipócrates, que associava a inveja e a raiva a um excesso de bile de cor verde-amarelada no sangue.

Legna verde (Madeira verde) – lenha recém-cortada que ainda contém seiva e umidade, por isso queima mal, produz muito fumo e pouca chama. Ao contrário do que o nome pode sugerir, não é o verde da cor, mas o verde no sentido de “imaturo”, “não curado”, o mesmo uso que aparece em grano verde, frutto verde, legno verde. O equivalente em português é simplesmente “madeira verde” ou “lenha verde”, expressão usada com o mesmo sentido nas duas línguas.

Oro verde (Ouro verde) – produtos naturais de grande valor econômico, chamados de “ouro verde” pela riqueza que representam. Na Itália, o uso mais frequente é para o azeite de oliva, considerado um dos maiores patrimônios gastronômicos e econômicos do país. Em sentido mais amplo, pode referir-se também à madeira ou ao café. Em português, “ouro verde” é igualmente usado para o café, especialmente no contexto da economia brasileira.

Partito verde (Partido verde) – denominação genérica dos partidos políticos de orientação ecologista, presentes em dezenas de países. Na Itália, o partido ecologista foi fundado em 1986 com o nome de Federazione dei Verdi, conhecido popularmente como I Verdi.

Vino verde (Vinho vede) – tipo de vinho de mesa, tinto ou branco, produzido numa região específica de Portugal que provém de videiras que crescem apoiadas em árvores, ao contrário das de outras regiões. Caracteriza-se pela leveza, teor médio de álcool, e por um certo sabor ácido que lhe imprime agradável frescura. É também conhecido como “vinho verdasco”.

Verde – por si só representa toda e qualquer vegetação natural. Temos assim: Campagna ricca di verde (Campo rico de verde), Quartieri poveri di verde (Bairros pobres de verde), Cercare um po’ di verde e d’aria pura (Procurar um pouco de verde e de ar puro), La difesa del verde (A defesa do verde). Temos ainda o verde representado por partes verdes das frutas e vegetais: Mangiare una fetta di coccomero fino al verde (Comer um pedaço de melancia até chegar no verde).

Bianco (Branco)

Andare in bianco (Fracassar, frustrar) – essa expressão pode ser empregada em diversos contextos para significar que algum acontecimento, projeto ou alguma coisa não deu certo ou que foi malsucedida. Também é usada no contexto de encontro amoroso que “não deu certo”.

Arma bianca (Arma branca) – objeto cortante ou perfurante utilizado em agressões e lutas corpo a corpo com a finalidade de produzir ferimentos em alguém.

Arte bianca (Arte de padeiro) – arte de produzir pão e derivados de farinha.

Bastone bianco (Bengala branca) – bastão de madeira, usado para orientação e mobilidade de pessoas cegas.

Cambiare idea di punto in bianco – mudar de ideia de uma hora para outra, de repente.

Camice bianco (Avental branco)– expressão utilizada para identificar médicos e profissionais da área da saúde ou laboratório. Em italiano, é comum usar no plural i camici bianchi.

Cucitrice di bianco (Costureira de branco) – costureira especializada em peças de uso doméstico (roupa íntima, cama, mesa e banho).

Dare carta bianca (Dar carta branca) – dar total liberdade para uma pessoa agir. Expressão usada quando alguém recebe plena confiança e liberdade de decisão. Existe com o mesmo sentido em português.

Essere bianco per la paura (Estar branco de medo) – estar com muito medo, estar apavorado. Refere-se à palidez causada pelo medo. Também pode aparecer como diventare bianco per la paura (ficar branco de medo).

Far venire i capelli bianchi (Fazer vir cabelos brancos) – quando uma situação é tão preocupante ao ponto de te deixar grisalho. Causar muita preocupação ou estresse; deixar alguém “de cabelo branco” ou “tirar a paz”. Pode aparecer também como mi fai venire i capelli bianchi (você me deixa de cabelo branco).

Le notti bianche (As noites brancas) – noites sem dormir; ou eventos culturais que acontecem durante a noite inteira. A expressão foi popularizada pelo romance Noites Brancas (1848), de Dostoevskij. Originalmente, refere-se ao fenômeno natural em regiões do norte, onde as noites são muito claras no verão. Em italiano contemporâneo, o termo é utilizado para dar o nome a iniciativas culturais como a abertura de museus até de madrugada, notte bianca (evento cultural noturno).

Mangiare in bianco (Comer em branco) – comer alimentos simples e leves, sem molhos ou temperos fortes (geralmente sem tomate). Muito usado quando a pessoa está doente ou com problemas digestivos. Equivalente em português “comida leve” ou “dieta leve”.

Mangiare riso in bianco (Comer arroz na manteiga ou azeite) – in bianco, em culinária, significa a ausência de molho de tomate ou de qualquer outra espécie como tempero. Pode ser considerado um exemplo específico de mangiare in bianco.

Passare la notte in bianco (Passar a noite em branco) – não dormir durante toda a noite. Existe também a variação fare una notte in bianco. Equivalente direto em português, “virar a noite”.

Partire per una settimana bianca (Partir para uma semana branca) – tirar férias de inverno na montanha, geralmente para esquiar. A forma mais comum no uso real é fare una settimana bianca. Refere-se a férias na neve, especialmente em regiões alpinas. Não implica necessariamente esquiar, mas essa é a atividade mais comum.

Risultato in bianco (Resultado em branco) – empate sem gols ou pontos. Muito usado no contexto esportivo, especialmente no futebol. Indica ausência total de marcação no placar. Em italiano, também se usa finire in bianco (terminar sem gols). Equivalente em português “zero a zero”.

Giallo (Amarelo)

Comprare un libro giallo (Comprar um livro amarelo) – comprar um livro de suspense, mistério ou romance policial. O termo surgiu com a Arnoldo Mondadori Editore, que nos anos 1920 publicou romances policiais com capas amarelas. Com o tempo, giallo passou a significar filmes de suspense e literatura policial. Ainda hoje a palavra giallo é sinônimo de livros ou filmes de suspense.

Bandiera gialla (Bandeira amarela) – sinal de quarentena; indicação de possível doença contagiosa a bordo, tradicionalmente usada em navios para indicar risco sanitário. Faz parte do sistema internacional de sinalização marítima, por extensão, pode indicar situação de alerta.

Cartellino giallo (Cartão amarelo) – advertência dada a um jogador por infração, usado principalmente no futebol. Indica uma falta ou comportamento irregular, mas não leva à expulsão imediata. Dois cartões amarelos geralmente resultam em cartellino rosso (expulsão). Por extensão, pode indicar um aviso formal em outros contextos.

Essere giallo come la cera / un limone (Estar amarelo como cera / como um limão) – estar pálido, com aparência doente ou debilitada. É uma imagem visual forte, comparando a pele a tons amarelados. Em português, o equivalente mais natural é “estar pálido” ou “estar com cara de doente”.

Essere raro come i cani gialli (Ser raro como cães amarelos) – ser muito raro; algo difícil de encontrar. Expressão usada para enfatizar algo insólito ou quase inexistente. Equivalente natural em português “raro como mosca branca”.

Maglia gialla (Camisa amarela) – camisa do líder da classificação geral em uma competição ciclística. Famosa no Tour de France, onde identifica o líder da prova. Não deve ser confundida com maglia rosa, líder do Giro d’Italia.

Sindacato Giallo (Sindicato Amarelo) – sindicato alinhado aos interesses dos empregadores, contrário à greve ou à mobilização dos trabalhadores. O termo surgiu na Europa (especialmente França e Alemanha) no século XIX. Em oposição aos movimentos operários mais combativos (“sindicatos vermelhos”). Por extensão, indica organizações financiadas ou influenciadas pelos patrões. Em português, o equivalente mais comum é “sindicato pelego”.

Farina gialla (Farinha amarela) – farinha de milho, base da polenta. Muito comum na culinária italiana, especialmente no norte do país. O gialla refere-se à cor natural do milho.

Grigio (Cinza)

Giornata grigia (Dia cinza) – dia nublado ou emocionalmente triste, sem energia. Em português, também usamos “dia cinza” com esse duplo sentido. Pode ser usado tanto no sentido figurado (estado emocional melancólico) quanto no literal (clima nublado).

Esistenza Grigia (Existência cinza) – vida monótona, sem brilho ou sem emoção. Refere-se a uma vida sem entusiasmo, repetitiva ou apagada. Em português, equivalente natural de “vida sem graça”.

Zona Grigia (Zona cinzenta) – situação ambígua, moralmente ou conceitualmente indefinida. Refere-se a uma área sem limites claros entre certo e errado.

Nero (Preto)

Essere nero (di rabbia) (Estar negro ‘de raiva’) – estar furioso; extremamente irritado. A forma completa di rabbia deixa o sentido mais claro (raiva intensa). Pode aparecer também apenas como essere nero (no contexto certo). Expressa um estado emocional forte, de irritação ou fúria.

Vedere tutto nero (Ver tudo negro) – ser pessimista; ver tudo de forma negativa. Expressa uma visão negativa ou pessimista da realidade.

Giorno nero (Dia negro) – dia ruim; dia em que nada dá certo.

Magia nera (Magia negra) – práticas ocultas associadas a causar dano ou influenciar negativamente. Relaciona-se a crenças em rituais e forças sobrenaturais com intenção negativa. Frequentemente associada à bruxaria.

Leggere la cronaca nera (Ler a crônica negra) – ler a seção do jornal dedicada a crimes e notícias policiais. Muito usada na imprensa italiana. Refere-se a notícias sobre investigações policiais, crimes e violência. Em português, equivalentes “página policial” e “noticiário policial”.

Lavoro in nero (Trabalho em negro) – trabalho informal; trabalho sem contrato ou sem registro. Refere-se a trabalho fora do sistema legal, não declarado ou sem direitos trabalhistas. Equivalentes em português de trabalho sem carteira assinada e trabalho informal.

Mettere nero su bianco (Colocar preto no branco) – escrever algo para formalizar; oficializar um acordo ou compromisso. Refere-se ao ato de registrar por escrito aquilo que foi dito, usado para garantir clareza e compromisso. Equivalente direto em português “pôr no preto no branco” e “colocar no papel”.

Mercato nero (Mercado negro) – comércio ilegal e clandestino de mercadorias. Refere-se à venda de produtos fora da lei ou sem regulamentação.

Bestia nera (Besta negra) – algo ou alguém que causa aversão, medo ou grande dificuldade.

Fame nera (Fome negra) – fome muito intensa; fome extrema. Expressa uma sensação de fome muito forte e urgente. Equivalentes em português “morrendo de fome” e “fome de leão”.

Fondi neri (Fundos negros) – dinheiro não declarado, usado ilegalmente fora da contabilidade oficial. Refere-se a recursos financeiros ocultos ou desviados. Equivalente em português “caixa dois”.

Gatto nero (Gato preto) – símbolo de azar na superstição popular. Além do sentido literal (animal de cor preta), possui forte carga simbólica. Em várias culturas europeias, o gato preto é associado a mau presságio e azar.

Giacchetta nera (Jaquetinha preta) – árbitro de futebol. A expressão vem do uniforme tradicional preto dos árbitros.

Lista nera (Lista negra) – lista de pessoas, empresas ou entidades consideradas indesejáveis ou a serem evitadas. Equivalente direto em português “lista negra”.

Rosso (Vermelho)

Bandiera rossa (Bandeira vermelha) – sinal de perigo, alerta ou infração.

Camicie rosse (Camisas vermelhas) – voluntários que seguiam Giuseppe Garibaldi durante as campanhas de unificação da Itália. O grupo teve papel fundamental no processo do Risorgimento, movimento na história italiana que buscou unificar o país entre 1815 e 1870.

Clausola rossa (Cláusula vermelha) – condição em crédito documentário que permite ao banco antecipar valores ao exportador antes da apresentação dos documentos. Usada no comércio internacional, especialmente em operações de carta de crédito. Permite ao exportador receber um adiantamento para financiar a produção ou envio da mercadoria, o nome vem da prática de destacar essa cláusula em vermelho nos documentos.

Vedere rosso (Ver vermelho) – ficar furioso; perder o controle de raiva. Expressa uma reação emocional imediata e intensa. Associada à ideia simbólica da cor vermelha ligada à raiva e impulsividade.

Rosso dalla vergogna (Vermelho de vergonha) – ficar muito envergonhado; corar intensamente. Refere-se ao ato de ficar vermelho no rosto por vergonha. A forma mais comum é rosso dalla vergogna mas há a forma expressiva rosso come un peperone (vermelho como um pimentão).

Dare il disco rosso (Dar o disco vermelho) – interromper uma situação; dizer “chega!” ou “basta!”. Sinônimo de mettere un freno, fermarsi e dire basta.

Fanghi rossi (Lama vermelha) – São as escórias (resíduos arenosos a partir da fusão de metais) insolúveis tóxicas derivadas da produção de alumínio. São assim chamadas por causa da sua coloração avermelhada pela presença de óxido de ferro. Em contextos formais, também pode aparecer porre fine a qualcosa (pôr fim a algo).

Giubbe rosse (Casacas vermelhas) – tropas britânicas conhecidas pelo uniforme vermelho. Refere-se aos soldados do exército britânico, especialmente entre os séculos XVII e XVIII. O nome vem das casacas vermelhas usadas como uniforme, em inglês, são conhecidos como Redcoats.

Luna rossa (Lua vermelha) – lua que adquire coloração avermelhada durante um eclipse total. O fenômeno ocorre durante o eclipse lunar total, a cor avermelhada é causada pela refração da luz solar na atmosfera da Terra. Em português, também é comum o termo “lua de sangue”.

Occhio rosso (Olho vermelho) – olho irritado ou inflamado, geralmente avermelhado.

Papa rosso (Papa vermelho) – apelido do responsável por missões da Igreja Católica (tradicionalmente ligado aos jesuítas). O termo é usado para se referir ao Superior Geral da Companhia de Jesus, o apelido vem da influência e do papel estratégico desse cargo na Igreja.

Razza rossa (Raça vermelha) – designação para popoli indigeni (povos indígenas).

Regioni rosse (Regiões vermelhas) – regiões com forte tradição política de esquerda. Refere-se a áreas da Itália historicamente ligadas a partidos de esquerda (especialmente comunistas, socialistas e outros grupos criminosos). A expressão é comum no discurso político e jornalístico italiano.

Rosso di freddo (Vermelho de frio) – ficar com a pele avermelhada por causa do frio intenso. Em português, é mais comum dizer “roxo de frio”. Refere-se à reação da pele ao frio, especialmente no rosto.

Rossoblù (Vermelho e azul) – designação de equipes esportivas que usam as cores vermelho e azul. Usado para identificar clubes como Genoa CFC, Bologna FC 1909 e Cagliari Calcio. Pode ser usado tanto como adjetivo quanto substantivo i rossoblù (os vermelho-azuis).

Rosa (Rosa)

Cronoca rosa (Crônica rosa) – notícias sobre celebridades, fofocas e vida social. Equivalente em português de “notícias de celebridades” ou “coluna social”.

Vedere rosa (Ver rosa) – ser otimista; ver as coisas de forma positiva. Expressa uma visão positiva e otimista da realidade. Muito próxima do português “ver tudo cor-de-rosa”.

Azzurro / Blu (Azul)

Arma Azzurra (Arma azul) – força aérea italiana (Aeronáutica Militar), refere-se à Aeronautica Militare. Não é um nome oficial, mas uma denominação descritiva/simbólica.

Avere il sangue blu (Ter o sangue azul) – pertencer à nobreza; ter origem nobre. Expressão ligada à ideia de linhagem aristocrática. Em português, existe exatamente o mesmo uso “ter sangue azul”. A origem está associada à visibilidade das veias em peles claras da nobreza europeia.

Barbablù (Barba-azul) – originado de Barba Azul, personagem dos contos de Charles Perrault que assassinava suas esposas. Em português, refere-se principalmente a um homem que teve várias esposas, geralmente associadas a mortes misteriosas. Já em italiano, barbablù indica um assassino de mulheres (especialmente de esposas) ou, por extensão, um homem extremamente perigoso no contexto afetivo.

Fiocco blu (Laço azul) – símbolo colocado na porta de uma casa para anunciar o nascimento de um menino. Para meninas, usa-se fiocco rosa. Representa uma forma simbólica de compartilhar a notícia com a comunidade.

Principe azzurro (Príncipe azul) – príncipe ideal; homem perfeito ou sonhado. Muito usado em contos de fadas e no imaginário popular. Equivale ao português “príncipe encantado”. Por extensão, refere-se ao parceiro idealizado, esperado ou desejado.

Pesce azzurro (Peixe azul) – categoria de peixes como sardinha (sardina), anchova (alice) e cavala (sgombro), muito comuns na dieta mediterrânea. São valorizados por serem ricos em ômega-3 e nutrientes.

Basco blu (Boina azul) – agente de forças de segurança ou ordem pública (dependendo do contexto). Refere-se ao uso da boina azul como parte do uniforme.

Camicie Azzurre (Camisas azuis) – membros de grupos nacionalistas italianos no período entre-guerras. Associadas a movimentos nacionalistas italianos após a Primeira Guerra Mundial. Diferenciam-se das Camicie nere (camisas negras), ligadas ao fascismo.

Errore blu (Erro azul) – erro grave, considerado muito sério. Tradicionalmente, em alguns liceus italianos, erros muito graves eram marcados em azul. Em contraste, no Brasil é mais comum marcar erros com vermelho (sem distinção formal de gravidade).

Prendersi una fifa blu (Levar um medo azul) – levar um grande susto; ficar muito assustado. Fifa é uma palavra coloquial que significa “medo”. Equivalentes em português “levar um baita susto” e
“morrer de medo”.

Un mondo più azzurro (Um mundo mais azul) – um mundo mais bonito, sereno ou ideal.

Auto blu (Carro azul) – veículo oficial do governo usado por autoridades. Refere-se a carros de serviço com motorista destinados a altos funcionários públicos e políticos.

Sci azzurro (Esqui aquático/náutico) – Esporte no qual o praticante se firma em um ou dois esquis e é rebocado sobre as águas por uma lancha em alta velocidade. Em português, aproxima-se de “carro oficial”, “carro do governo” e “chapa-branca” (uso mais coloquial no Brasil).

Telefono azzurro (Telefone azul) – linha de apoio e denúncia para proteção de crianças e adolescentes. Em português, aproxima-se de serviços como canais de proteção à infância, “disque denúncia infantil”.

Vetriolo azzurro (Vitríolo azul) – trata-se de um composto químico conhecido como sulfato de cobre (CuSO₄). Também chamado em português de “pedra-ume”, e caracteriza-se pela coloração azulada intensa.

Zona blu (Zona azul) – área urbana com estacionamento regulado e pago. Refere-se a áreas com estacionamento pago, sinalizadas por linhas azuis no chão. Em português, equivale a “zona azul” (estacionamento rotativo pago).

Bruno / Marrone / Castagno (Marrom / Castanho)

Alghe brune (Algas pardas) – algas pluricelulares de coloração escura, geralmente de grande porte. Pertencem ao grupo das feofíceas (Phaeophyceae), são comuns em ambientes marinhos, especialmente em águas frias.

Angeli bruni (Anjos maus) – demônios; seres malignos. Bruni (pardos/escuros) sugere oposição simbólica à pureza dos “anjos”.

Camicie brune (Camisas pardas) – membros das milícias do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazismo), refere-se aos integrantes da SA (Sturmabteilung), organização paramilitar ligada ao partido.

Far bruno (Escurecer / Ficar escuro) – anoitecer; quando a luz do dia diminui e chega a noite. Também pode aparecer sta imbrunendo (está anoitecendo). Refere-se ao momento de transição entre dia e noite.

Mettere il bruno (Vestir-se de luto / Estar de luto) – estar triste pela morte de alguém; usar roupas de luto. Refere-se tanto ao estado emocional quanto ao costume social.

Pane bruno (Pão escuro / Pão integral) – pão feito com farinhas escuras (como centeio ou integrais). Bruno refere-se à cor escura da massa, não necessariamente só ao centeio. Em italiano atual, também se usa pane integrale (mais comum).

Terra bruna (Terra escura) – solo de coloração escura, geralmente rico em matéria orgânica. Bruna indica uma cor escura, próxima do marrom ou quase preta. Frequentemente associada a solos ricos em húmus, férteis.

Zucchero bruno (Açúcar escuro) – açúcar mascavo; açúcar não refinado, de cor marrom. Resulta de menor processamento, mantendo o melaço. Em italiano, também se usa zucchero di canna (açúcar de cana, nem sempre mascavo).

Viola (Roxo)

Popolo viola (Povo violeta) – movimento de ativismo político italiano conhecido por protestos contra Silvio Berlusconi. Surgiu na Itália no final dos anos 2000, organizado principalmente por meio da internet e redes sociais. O viola (violeta) foi escolhido como cor simbólica por não estar associado a partidos tradicionais.

Outras expressões

Farne di tutti i colori(Fazer de todas as cores) – aprontar todas; fazer todo tipo de coisa (geralmente coisas erradas ou exageradas). Normalmente tem sentido negativo ou caótico como comportamentos problemáticos, travessuras e exageros. Equivalentes em português “aprontar todas”.

Cambiare colore (Mudar de cor) – ficar pálido ou corado por vergonha, medo ou emoção. Em português, equivalente “mudar de cor”.

Difendere i colori (Defender as cores) – defender o próprio time, grupo ou identidade (especialmente esportiva). Pode, por extensão, ser usado em sentido mais amplo (grupo ou causa). Em português, equivalentes “defender as cores do time” e “vestir a camisa”.

Popolo arcobaleno (Povo arco-íris) – movimento ou conjunto de pessoas associadas ao pacifismo. Faz referência à bandeira arco-íris, símbolo de movimentos pela paz na Itália.


Original: Post-italy.com

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