O português e o italiano descendem do mesmo latim vulgar e compartilham cerca de 80% do vocabulário básico, o que torna o italiano um dos idiomas mais acessíveis para falantes de português. No entanto, cada língua seguiu um percurso evolutivo distinto, moldado por contextos históricos, culturais e geográficos específicos, resultando em características únicas que vão muito além das palavras.

As semelhanças podem enganar: há diferenças gramaticais importantes que todo estudante precisa conhecer. Exploramos nesse extenso material as principais convergências e divergências entre o português brasileiro, o português europeu e o italiano, destacando onde as línguas se encontram e onde se distanciam.

Raiz latina

A herança do latim vulgar, a forma coloquial usada pelo povo no Império Romano, é visível em centenas de palavras compartilhadas pelo português e pelo italiano. Em muitos casos, as palavras são idênticas ou diferem apenas em pequenos detalhes de grafia ou pronúncia:

LatimPortuguêsItaliano
manumãomano
verdeverdeverde
festafestafesta
amoreamoramore
aquaáguaacqua
noctenoitenotte
portaportaporta
lunalualuna
librolivrolibro
familiafamíliafamiglia

Essa proximidade é tão grande que um falante de português consegue compreender intuitivamente uma parcela significativa do italiano escrito, mesmo sem nunca ter estudado o idioma.

No entanto, a herança comum também esconde armadilhas. Algumas palavras parecem idênticas mas têm significados completamente diferentes, os chamados falsos cognatos (falsi amici em italiano). Por exemplo:

  • burro em italiano significa “manteiga” — não o animal
  • caldo em italiano significa “quente” — não um prato de sopa
  • pavimento em italiano significa “chão” — não a calçada

Estrutura Gramatical

Tanto o português quanto o italiano organizam suas frases com base em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), exigindo concordância entre artigos, substantivos, adjetivos e verbos. Para o falante de português, essa lógica já é familiar, o que representa uma vantagem real no aprendizado do italiano.

Veja como a concordância funciona de forma paralela nas duas línguas:

PortuguêsItaliano
Masculino singularO livro é novoIl libro è nuovo
Feminino singularA casa é bonitaLa casa è bella
Masculino pluralOs livros são novosI libri sono nuovi
Feminino pluralAs casas são bonitasLe case sono belle

Em ambos os idiomas, o artigo, o substantivo e o adjetivo precisam concordar entre si e o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

O italiano reconhece apenas masculino e feminino como gêneros gramaticais, assim como o português. No entanto, alguns substantivos italianos apresentam um comportamento especial no plural: certas partes do corpo humano são masculinas no singular e tornam-se femininas no plural.

  • il braccio (o braço) → le braccia (os braços)
  • il ginocchio (o joelho) → le ginocchia (os joelhos)
  • il dito (o dedo) → le dita (os dedos)

Esse é um dos pontos que mais surpreende e confunde os estudantes de italiano!

Essa base gramatical comum torna a transição do português para o italiano mais natural do que para outros idiomas. Porém, como veremos nos próximos tópicos, há diferenças importantes que merecem atenção.

Pronúncia

Uma das diferenças mais perceptíveis entre o português e o italiano está na pronúncia, especialmente no ritmo, na entonação e nos sons de cada língua.

O italiano: previsível e musical

O italiano é frequentemente descrito como uma língua musical, e não é por acaso. Suas principais características fonéticas são:

Ritmo regular: todas as sílabas têm peso semelhante, o que dá ao italiano aquela cadência característica.

Vogais abertas e bem pronunciadas: cada vogal é claramente articulada, diferente do português, que reduz vogais em muitas situações.

Consoantes duplas: o italiano distingue consoantes simples de duplas, e essa diferença muda o significado das palavras.

SimplesDuplaDiferença
caro (querido/caro)carro (carro)uma ou duas consoantes
pala (pá)palla (bola)som alongado
nono (nono)nonno (avô)significados distintos

Sons do italiano que desafiam o brasileiro

Alguns sons italianos exigem atenção especial de quem fala português:

C e G antes de e/i: pronunciam-se como tch e djcena = “tchena”, giro = “djiro”

GL: som parecido com o lh português — gli = “lhi”, figlio = “filhu”

GN: equivale ao nh português — gnocchi = “nhóki”, bagno = “banhu”

O R italiano: vibrante simples, diferente do R gutural do português brasileiro, mais próximo do R do português europeu ou do R em final de sílaba.

O português e seus sons nasais

O português, por sua vez, apresenta sons que não existem no italiano, especialmente as vogais nasais:

PortuguêsItalianoObservação
mãomanosem nasalização
coraçãocuorepalavra evoluiu de forma diferente do latim cor
irmãofratellopalavras completamente distintas
pãopanesem nasalização

Essas nasais (ão, em, im, um) são um dos maiores desafios para italianos que aprendem português e uma das características que mais diferencia os dois idiomas foneticamente.

O italiano é considerado um dos idiomas mais previsíveis foneticamente, as regras de pronúncia têm poucas exceções e, uma vez aprendidas, se aplicam de forma consistente. Isso torna o aprendizado da pronúncia italiana muito mais direto do que o de idiomas como o inglês ou o francês.

Já falamos aqui no nosso guia de pronúncia italiana.

Substantivos

Assim como o português, o italiano classifica seus substantivos em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). No entanto, a forma de construir o plural é bastante diferente nas duas línguas.

No português, o plural segue regras baseadas na terminação da palavra:

TerminaçãoRegraExemplo
VogalAdiciona -scasa → casas / carro → carros
ConsoanteAdiciona -esflor → flores / sol → sóis
-ão→ -ãosmão → mãos
-ão→ -ãesalemão → alemães
-ão→ -õescoração → corações

As três formas de plural para palavras em “-ão” são uma das maiores dificuldades do português, inclusive para estrangeiros!

No italiano, o plural não é formado por adição de sufixo, mas pela alteração da terminação da palavra:

GêneroTerminação singularTerminação pluralExemplo
Feminino-a-ela casa → le case
Feminino-e-ila nave → le navi
Masculino-o-iil libro → i libri
Masculino-e-iil cane → i cani

Um dos pontos mais curiosos do italiano são os substantivos que designam partes do corpo humano: eles são masculinos no singular, mas tornam-se femininos no plural:

Singular (masculino)Plural (feminino)Tradução
il bracciole bracciao braço / os braços
il ginocchiole ginocchiao joelho / os joelhos
il ditole ditao dedo / os dedos
il labbrole labbrao lábio / os lábios
l’ossole ossao osso / os ossos

Esse comportamento é herança direta do latim, que possuía um terceiro gênero, o neutro, que desapareceu nas línguas românicas, mas deixou rastros exatamente nesses plurais irregulares.

Outra particularidade do italiano são palavras terminadas em “-a” que são masculinas, contrariando a expectativa de quem fala português. A maioria delas tem origem no grego antigo:

ItalianoPluralPortuguês
il problemai problemio problema
il sistemai sistemio sistema
il temai temio tema
il climai climio clima
il poetai poetio poeta

Se a palavra existe em português com terminação em “-ma” ou “-ta” e tem origem grega, há grande chance de ser masculina também em italiano!

Tanto o português quanto o italiano possuem palavras que não mudam no plural:

PortuguêsItaliano
o/os ônibusil/i caffè
o/os lápisil/i film
o/os vírusil/i tram

Já falamos aqui dos substantivos no italiano.

Uso de artigos e preposições

Ambos os idiomas possuem artigos definidos e indefinidos, que indicam se o substantivo é específico ou genérico. Veja a comparação:

Artigos definidos

Masculino singularFeminino singularMasculino pluralFeminino plural
Portuguêsoaosas
Italianoil / lo / l’la / l’i / glile

O italiano tem 7 formas de artigo definido contra 4 do português, a variedade existe para refletir não só o gênero e número, mas também a letra inicial do substantivo seguinte. Por exemplo, lo é usado antes de substantivos masculinos que começam por s + consoante, z, gn, ps: lo studente, lo zaino.

Artigos indefinidos

Masculino singularFeminino singularPlural
umumauns / umas
un / unouna / un’(não existe — usa-se o partitivo)

Contrações: artigos + preposições

Nas duas línguas, artigos se fundem com preposições formando contrações. No italiano esse sistema é mais extenso, pois precisa refletir todas as variações de gênero e número:

Portuguêsoaosas
aaoàaosàs
dedodadosdas
emnonanosnas
porpelopelapelospelas
Italianoillol’iglile
dideldellodell’deideglidelle
aalalloall’aiaglialle
dadaldallodall’daidaglidalle
innelnellonell’neineglinelle
susulsullosull’suisuglisulle

Exemplos práticos das contrações italianas usadas:

  • Vado al mercato → Vou ao mercado. (a + il = al)
  • Il libro della ragazza → O livro da menina. (di + la = della)
  • Abito nel centro → Moro no centro. (in + il = nel)
  • Salto sul tavolo → Pulo sobre a mesa. (su + il = sul)
  • Vengo dagli Stati Uniti → Venho dos Estados Unidos. (da + gli = dagli)

O artigo partitivo

Uma das diferenças que mais surpreende brasileiros é o artigo partitivo italiano. Enquanto em português usamos uns/umas para indicar quantidade indefinida “comi umas maçãs”, “vi uns amigos”, o italiano usa a combinação de di + artigo definido:

PortuguêsItalianoFormação
umas maçãsdelle meledi + le
uns amigosdegli amicidi + gli
umas pessoasdelle personedi + le
um pouco de águadell’acquadi + l’
um pouco de pãodel panedi + il

O artigo partitivo não tem correspondência direta no português, o que pode causar estranheza no início. Com a prática, porém, seu uso se torna natural, especialmente em contextos de alimentação e quantidade: Vuoi del caffè? (Quer um café?) / Ho comprato delle mele (Comprei umas maçãs).

Preposições Por x Para x Per

Uma das diferenças mais práticas entre o português e o italiano está no uso das preposições. Em português, usamos “por” e “para” com funções bem distintas. Em italiano, a preposição “per” cobre boa parte dessas funções, mas não todas, e outras preposições italianas entram em cena dependendo do contexto.

“Por” em português e as funções e equivalentes em italiano:

FunçãoPortuguêsItaliano
PassagemViajamos por PortugalAbbiamo viaggiato per l’Italia
Motivo/causaFiz isso por vocêHo fatto questo per te
Troca/valorComprei o livro por 20 reaisHo comprato il libro per 20 reais
DuraçãoEstudei por duas horasHo studiato per due ore

“Para” em português e suas funções e equivalentes em italiano:

FunçãoPortuguêsItaliano
DestinatárioEste presente é para vocêQuesto regalo è per te
FinalidadeEstudei para passarHo studiato per superare l’esame
Destino de viagemVou para RomaParto per Roma
Destino cotidianoVou para a escolaVado a scuola
Destino cotidianoVou para casaVado a casa

Em italiano, o destino de viagem usa “per” (Parto per Roma), mas o destino de movimento cotidiano usa “a” (Vado a scuola). Essa distinção não existe em português, usamos “para” nos dois casos.

Quando o italiano NÃO usa “per”:

Algumas situações em que o português usa “por” ou “para” exigem preposições completamente diferentes em italiano:

FunçãoPortuguêsItalianoPreposição
Origem/ponto de partidaSaio de casa às 8Parto da casa mia alle 8da
Destino cotidianoVou para a escolaVado a scuolaa
Posse/especificaçãoO livro de MariaIl libro di Mariadi

Quando em dúvida, “per” em italiano costuma corresponder a “por” ou “para” na maioria dos contextos de causa, finalidade, duração e destino de viagem. Para movimento cotidiano, prefira “a“. Para origem, use “da“.

Preposições De x Di e Da

Em português, a preposição “de” é extremamente versátil, usamos ela para posse, conteúdo, material, origem e finalidade. Em italiano, essas funções são distribuídas principalmente entre “di” e “da“, cada uma com seus usos específicos. Entender essa distinção é essencial para falar italiano com precisão.

Quando usar “di” em italiano

Di” é o equivalente mais próximo do “de” português e cobre a maioria dos seus usos:

FunçãoItalianoPortuguês
PosseIl libro di MariaO livro de Maria
ConteúdoUna tazza di caffèUma xícara de café (com café dentro)
MaterialUn anello di oroUm anel de ouro
Origem/identidadeSono di RomaSou de Roma
PartitivoDi che colore è?De que cor é?

Quando usar “da” em italiano

Da” cobre funções que em português também seriam resolvidas com “de” mas com significados bem distintos:

FunçãoItalianoPortuguês
Finalidade/usoUna tazza da caffèUma xícara de café (própria para café)
Finalidade/usoOcchiali da soleÓculos de sol
Procedência/movimentoVengo da RomaVenho de Roma
Agente da passivaScritto da DanteEscrito por Dante
Tempo — desde quandoVivo qui da tre anniMoro aqui três anos

A distinção mais importante: di vs. da para origem

Um dos pontos que mais confunde o aprendiz brasileiro é a diferença entre “di” e “da” para expressar origem:

ItalianoPortuguês
Identidade/origemSono di RomaSou de Roma
Movimento/procedênciaVengo da RomaVenho de Roma

Em português usamos “de” nos dois casos. Em italiano, a escolha entre “di” e “da” depende de estar falando sobre identidade (di) ou movimento físico (da).

O “da” do tempo

Um uso de “da” que surpreende muito o aprendiz brasileiro é para indicar duração de tempo até o presente, equivalente ao nosso “há”:

  • Vivo a São Paulo da tre anni → Moro em São Paulo há três anos
  • Studio italiano da sei mesi → Estudo italiano há seis meses
  • Ti aspetto da un’ora → Estou te esperando há uma hora

Quando em italiano aparecer “da” + período de tempo, traduza mentalmente para “há” em português, quase sempre funcionará!

Pronomes átonos

Os pronomes átonos ,também chamados de pronomes clíticos, são aqueles que se apoiam no verbo sem receber acento tônico. Em português e italiano funcionam de forma semelhante, mas diferem na posição em relação ao verbo e nas transformações que sofrem.

Comparativo dos pronomes átonos:

FunçãoPortuguêsItaliano
1ª pessoa singularmemi
2ª pessoa singularteti
3ª pessoa masc. singularo / lhelo / gli
3ª pessoa fem. singulara / lhela / le
1ª pessoa pluralnosci
2ª pessoa pluralvosvi
3ª pessoa pluralos / as / lhesli / le / loro

Posição em relação ao verbo

Esta é uma das diferenças mais práticas entre as duas línguas:

SituaçãoPortuguês EuropeuPortuguês BrasileiroItaliano
Frase afirmativaAmo-te (ênclise)Te amo (próclise)Ti amo
Frase negativaNão te amo (próclise)Não te amoNon ti amo
PerguntaQue te disse?O que te disse?Cosa ti ha detto?
Com advérbiolhe dissete faleiGli ho già detto

O português brasileiro usa próclise com muito mais frequência que o europeu, colocando o pronome antes do verbo, exatamente como o italiano. Se você diz “te amo” em vez de “amo-te”, já está pensando como um falante de italiano!

Transformações dos pronomes átonos em português

No português, os pronomes o, a, os, as sofrem alterações fonéticas dependendo da terminação do verbo, para facilitar a pronúncia:

Verbos terminados em “-r”, “-s” ou “-z” → pronome vira -lo / -la / -los / -las:

OriginalTransformaçãoExplicação
Fazer + a coisaFazê-lao -r cai, vogal recebe acento
Dizer + issoDizê-loo -z cai, vogal recebe acento
Comprar + os livrosComprá-loso -r cai, vogal recebe acento

Verbos terminados em “-ão”, “-õe”, “-am” ou “-em” → pronome vira -no / -na / -nos / -nas:

OriginalTransformação
Farão + a tarefaFarão-na
Põem + o livroPõem-no
Falam + a verdadeFalam-na

Essas transformações são exclusivas do português, o italiano não possui nada equivalente, tornando o uso dos pronomes italianos mais simples nesse aspecto.

Pronomes unidos ao verbo em italiano

Em italiano, quando o verbo está no infinitivo ou no imperativo, o pronome átono não fica separado, ele se une diretamente ao verbo:

EstruturaItalianoPortuguês
Infinitivo + pronomeVoglio vedertiQuero te ver
Infinitivo + pronomeDevo dirloPreciso dizê-lo
Imperativo + pronomeDi’mi! / Dimmi!Me diz! / Fala!
Imperativo + pronomeAspettami!Me espera!

Essa união do pronome ao verbo no imperativo e infinitivo é uma das características que mais surpreendem o aprendiz brasileiro de italiano, e um ponto que vale praticar com atenção!

Mesóclise

A mesóclise é um fenômeno exclusivo do português, não existe em italiano nem em nenhuma outra língua românica moderna. Ela ocorre quando o pronome átono é inserido dentro do próprio verbo, entre o radical e a terminação verbal.

Esse uso é restrito a dois tempos verbais:

  • Futuro do Indicativo
  • Condicional (também chamado de Futuro do Pretérito)

O verbo no futuro é formado pelo infinitivo + terminação. Na mesóclise, o pronome entra exatamente nessa junção:

EstruturaExemplo
Infinitivo + terminaçãorecomendar + ei = recomendarei
Com mesócliserecomendar + lhe + ei = recomendar-lhe-ei

Exemplos com Futuro do Indicativo:

Sem pronomeCom mesócliseSentido
Recomendarei um livro ao LeandroRecomendar-lhe-ei um livroRecomendarei a ele
Direi a verdade a vocêDir-te-ei a verdadeDirei a você
Faremos isso para vocêsFar-vos-emos issoFaremos para vocês

Exemplos com Condicional:

Sem pronomeCom mesócliseSentido
Enviaria o documento a elaEnviar-lho-iaEnviaria a ela
Diria isso a vocêDir-te-ia issoDiria a você

Na fala cotidiana do Brasil, a mesóclise é considerada muito formal e é substituída naturalmente pela próclise:

  • “Recomendar-lhe-ei” → “Vou te recomendar”
  • “Dir-te-ia” → “Ia te dizer”

Como o italiano resolve?

O italiano simplesmente coloca o pronome antes do verbo, sem mesóclise, sem exceções:

Português EuropeuPortuguês BrasileiroItaliano
Recomendar-lhe-ei um livroVou te recomendar um livroTi raccomanderò un libro
Dir-te-ia a verdadeIa te dizer a verdadeTi direi la verità

Mais uma vez, o italiano se aproxima do português brasileiro, pronome antes do verbo, sem complicações!

Uso do sujeito

Tanto o português quanto o italiano são chamados de línguas de sujeito nulo, porque permitem omitir o sujeito quando a conjugação verbal já indica claramente a pessoa e o número da ação.

PessoaPortuguêsItaliano
1ª singular(Eu) falo português(Io) parlo italiano
2ª singular(Tu) falas muito bem(Tu) parli molto bene
3ª singular(Ele) mora em Roma(Lui) abita a Roma
1ª plural(Nós) estudamos italiano(Noi) studiamo italiano
3ª plural(Eles) chegaram ontem(Loro) sono arrivati ieri

Em todos esses casos, o sujeito entre parênteses pode ser omitido sem perda de sentido, o verbo já carrega essa informação.

Quando o sujeito precisa ser explícito

Em ambas as línguas, o sujeito se torna necessário em situações específicas:

1. Para evitar ambiguidade na 3ª pessoa:

A 3ª pessoa é a que mais causa ambiguidade, pois o verbo não distingue masculino de feminino:

SituaçãoPortuguêsItaliano
AmbíguoChegou cedoÈ arrivato presto
ClaroEla chegou cedoLei è arrivata presto
ClaroEle chegou cedoLui è arrivato presto

2. Para dar ênfase ou contraste

  • Eu fiz isso, não você! → Io l’ho fatto, non tu!
  • Nós decidimos, não eles → Noi abbiamo deciso, non loro.

3. Para retomar o sujeito após mudança de tema

Quando o sujeito muda no meio do discurso, expressá-lo evita confusão, tanto em português quanto em italiano.

A diferença real: Português Europeu × Português Brasileiro × Italiano

O aspecto mais interessante desse tema para o aprendiz brasileiro é entender onde ele se posiciona em relação às duas variedades:

Português EuropeuItalianoPortuguês Brasileiro
TendênciaOmite mais o sujeitoOmite mais o sujeitoUsa mais o sujeito explícito
Exemplo(Eu) fui ao mercado(Io) sono andato al mercatoEu fui ao mercado

Por que o brasileiro usa mais o sujeito? Uma das razões é a entrada do pronome “você” na língua, que conjugado na 3ª pessoa (você faz, você vai) exige o sujeito explícito para não confundir com ele/ela. Isso foi gradualmente influenciando o uso geral dos pronomes no português brasileiro.

O italiano se comporta de forma mais parecida com o português europeu nesse aspecto, omitindo o sujeito com mais naturalidade. Se você é brasileiro e está aprendendo italiano, resista ao impulso de sempre explicitar o sujeitom na maioria das situações, o italiano prefere omiti-lo.

Posição e movimento

O uso de preposições para indicar localização e movimento é uma das áreas onde o português e o italiano mais divergem na prática. Entender essas diferenças evita erros muito comuns entre aprendizes brasileiros.

Localização × Movimento: a lógica de cada língua

SituaçãoPortuguêsItaliano
Estar em um paísEstou no BrasilSono in Brasile
Ir para um paísVou para o BrasilVado in Brasile
Estar em uma cidadeEstou em RomaSono a Roma
Ir para uma cidadeVou para RomaVado a Roma

Regra prática do italiano: use “in” para países e regiões, e “a” para cidades, independentemente de estar parado ou em movimento. Em português, essa distinção não existe: usamos “em/no/na” para posição e “para” para movimento, em ambos os casos.

O “in” italiano — quando usar sem artigo

Uma das particularidades do italiano é o uso de “in” sem artigo para lugares que funcionam como ambientes ou contextos:

ItalianoPortuguês
Sono in casaEstou em casa
Vado in ufficioVou para o escritório
Sono in chiesaEstou na igreja
Studio in bibliotecaEstudo na biblioteca
Lavoro in ospedaleTrabalho no hospital

Quando esses mesmos lugares aparecem com artigo, o sentido muda levemente, “nella biblioteca” (na biblioteca específica) vs “in biblioteca” (na biblioteca, como hábito ou contexto).

Países, regiões e ilhas — regras do italiano

LugarPreposiçãoExemplo
PaísesinVivo in Italia
RegiõesinSono in Toscana
Ilhas grandesinVado in Sardegna
Ilhas pequenasaVado a Capri
CidadesaAbito a Milano

“Vou a” × “Vou para”

Em português, a diferença entre “a” e “para” com destino é sutil mas real:

ExpressãoSentido
Vou a ParisIda com retorno previsto — “vou e volto”
Vou para ParisDestino sem retorno definido ou mudança permanente

Em italiano essa distinção não existe, “Vado a Parigi” cobre os dois sentidos. O contexto da conversa é que esclarece se há ou não retorno previsto.

Movimento de saída — origem

Para completar o quadro, vale comparar também como cada língua expressa o ponto de partida:

SituaçãoPortuguêsItaliano
Sair de uma cidadeSaio de RomaParto da Roma
Vir de um paísVenho do BrasilVengo dal Brasile
Sair de casaSaio de casaEsco da casa

Note que em italiano “da” + artigo formam contrações: da + il = dal, da + la = dalla, da + i = dai. Assim como em português “de” + artigo formam do, da, dos, das.

Verbos Essere x Stare vs Ser x Estar

Uma das diferenças mais marcantes entre o português e o italiano está no uso dos verbos que expressam estado, identidade e localização. Em português temos dois verbos distintos, “ser” e “estar”, enquanto o italiano usa principalmente “essere“, com “stare” aparecendo em contextos específicos.

Ser × Estar em português

A distinção clássica, ainda que simplificada, é:

Ser: Identidade, características essenciais, origem, profissão – Sou brasileiro / Sou professor / A festa é às 8h.

Estar: Estados temporários, localização, condição atual – Estou feliz / Estou em Roma / Estou cansado

A regra “ser = permanente / estar = temporário” é útil mas imperfeita. “O Brasil está na América do Sul” é permanente e usa “estar”. “Sou jovem” é temporário e usa “ser”. O que realmente define a escolha é a natureza do predicado, não a duração.

Essere em italiano

Em italiano, “essere” cobre a maioria das funções de “ser” e “estar”:

SituaçãoItalianoPortuguês
IdentidadeSono italianoSou italiano
CaracterísticaSono altoSou alto
Estado emocionalSono feliceEstou feliz
Localização (pessoa)Sono a RomaEstou em Roma
Localização (evento)La festa è a RomaA festa é em Roma
ProfissãoSono professoreSou professor

O italiano não distingue “Sou feliz” de “Estou feliz”, ambos são “Sono felice“. O contexto da conversa é que indica se o estado é duradouro ou momentâneo.

Stare — quando o italiano se aproxima do “estar”

Stare” é o verbo italiano que mais se aproxima do “estar” português, mas seu uso é mais restrito. Os contextos mais importantes são:

1. Cumprimento — “Como você está?”

  • Come stai? → Como você está?
  • Sto bene, grazie → Estou bem, obrigado.
  • Come sta? (formal) → Como o senhor/a senhora está?

2. Stare + gerúndio — ação em progresso.

Equivalente direto do nosso “estar + gerúndio”:

  • Sto mangiando → Estou comendo.
  • Stai studiando? → Você está estudando?
  • Sta dormendo → Está dormindo.

3. Stare per + infinitivo — ação iminente

  • Sto per uscire → Estou prestes a sair / Vou sair agora.
  • Sta per piovere → Está prestes a chover / Vai chover.

4. Imperativo com stare

  • Stai attento! → Fique atento!
  • Stai calmo! → Fique calmo!
  • Sta’ zitto! → Fique quieto!

Verbos auxiliares

Tanto o português quanto o italiano formam tempos compostos com a ajuda de verbos auxiliares. A diferença principal está em quantos auxiliares cada língua usa e quando cada um se aplica.

No português brasileiro, o verbo “ter” é o auxiliar dominante na formação dos tempos compostos:

TempoExemploSentido
Pretérito Perfeito CompostoTenho estudado muitoação repetida até o presente
Pretérito Mais-que-perfeitoTinha chegado cedoação anterior a outra no passado
Futuro CompostoTerei terminado amanhãação futura concluída

No português europeu e na escrita formal, o verbo “haver” também funciona como auxiliar: “Hei de ir”, “Havia dito”. No Brasil, esse uso é raro e literário.

Italiano — dois auxiliares: avere e essere

O italiano usa dois auxiliares nos tempos compostos, e a escolha entre eles é uma das primeiras grandes dificuldades do aprendiz:

“Avere” — o auxiliar mais comum

Usado com a maioria dos verbos transitivos, aqueles que têm objeto direto:

  • Ho mangiato la pizza → Comi a pizza.
  • Hai visto il film? → Você viu o filme?
  • Abbiamo comprato una casa → Compramos uma casa.

Com “avere“, o particípio passado é invariável e não concorda com o sujeito.

“Essere” — quando usar

“Essere” é usado em três grupos principais de verbos:

1. Verbos de deslocamento com destino

  • Sono andato a Roma → Fui a Roma.
  • Sei venuto tardi → Você veio tarde.
  • È partita ieri → Ela partiu ontem.
  • Siamo arrivati presto → Chegamos cedo.

Nem todo verbo de movimento usa “essere“. Verbos como camminare (caminhar) e guidare (dirigir) usam “avere“, ho camminato, ho guidato. A regra mais precisa é: verbos de deslocamento com destino definido usam “essere“.

2. Verbos reflexivos

  • Mi sono svegliato → Eu acordei.
  • Ti sei alzata? → Você se levantou? (para mulher).
  • Si sono sposati → Eles se casaram.

3. Verbos de mudança de estado

  • Sono nato a Milano → Nasci em Milão.
  • È morta ieri → Ela morreu ontem.
  • Sei diventato famoso → Você se tornou famoso.
  • Sono cresciuto in campagna → Cresci no campo.

Concordância do particípio

Esta é uma das diferenças mais importantes em relação ao português:

AuxiliarParticípioExemplo
avereinvariávelHo mangiato / Abbiamo mangiato
essereconcorda com o sujeitoSono andato (m.) / Sono andata (f.)
SujeitoExemplo com essereTradução
Homem singularSono arrivatoCheguei
Mulher singularSono arrivataCheguei
Homem/misto pluralSiamo arrivatiChegamos
Mulheres pluralSiamo arrivateChegamos

Esse é um erro muito comum entre brasileiros, esquecer de concordar o particípio quando o auxiliar é “essere“.

Verbos que aceitam os dois auxiliares

Alguns verbos italianos aceitam “avere” ou “essere” com sentidos diferentes:

Com avere

  • Ho salito le scale → (subi as escadas — ação física)
  • Ho sceso i bagagli → (desci as bagagens)

Com essere

  • Sono salito al terzo piano → (subi ao terceiro andar — cheguei)
  • Sono sceso dalla macchina → (desci do carro)

Pretérito Perfeito

O passado é uma das áreas onde português e italiano mais divergem,especialmente porque o italiano possui dois tempos simples de passado que funcionam de formas distintas dependendo da região e do contexto.

Português — Simples × Composto

Pretérito Perfeito Simples: Ação concluída e pontual no passado.

Exemplo: Vi o vídeo / Tomei café.

Pretérito Perfeito Composto: Ação iniciada no passado e contínua/repetida até o presente

Exemplo: Tenho comido muito ultimamente.

No português brasileiro, o Pretérito Perfeito Simples é muito mais usado, inclusive em situações onde o europeu usaria o composto. Um brasileiro diz “hoje eu comi pizza”, enquanto um português diria “hoje tenho comido pizza”.

Italiano — três tempos de passado essenciais

O italiano distingue três tempos principais de passado, cada um com uso específico:

Passato Prossimo → Pretérito Perfeito Simples/Composto
Ação passada com ligação ao presente

Passato Remoto → Pretérito Perfeito Simples
Ação passada distante, sem ligação com o presente

Imperfetto → Pretérito Imperfeito
Ação contínua, habitual ou descritiva no passado

Passato Prossimo — o passado do cotidiano

É o tempo mais usado no italiano falado, especialmente no norte da Itália. Indica ações passadas que ainda têm relevância ou conexão com o presente:

  • Ho visto il video → Vi o vídeo.
  • Ho fatto colazione → Tomei café da manhã.
  • Oggi ho lavorato molto → Hoje trabalhei muito.
  • Hai mai mangiato sushi? → Você já comeu sushi?

O Passato Prossimo é formado com avere ou essere + particípio passado, e quando o auxiliar é essere, o particípio concorda com o sujeito.

Passato Remoto — o passado distante

Usado para ações completamente concluídas no passado, sem ligação com o presente, especialmente no sul da Itália e na escrita literária ou histórica:

  • Dante scrisse la Divina Commedia → Dante escreveu a Divina Comédia.
  • I Romani costruirono il Colosseo → Os romanos construíram o Coliseu.
  • Nacqui a Napoli nel 1985 → Nasci em Nápoles em 1985.

No sul da Itália o Passato Remoto é usado até para eventos recentes, ieri andai al mercato (ontem fui ao mercado). No norte, o mesmo falante diria ieri sono andato al mercato com o Passato Prossimo. Um aprendiz precisa conhecer os dois para entender italianos de diferentes regiões.

Imperfetto — o passado contínuo

Equivalente ao nosso Pretérito Imperfeito — usado para ações habituais, contínuas ou descritivas no passado:

  • Da bambino giocavo sempre fuori → Quando criança, sempre brincava lá fora.
  • Pioveva quando sono uscito → Estava chovendo quando saí.
  • Lei era molto bella → Ela era muito bonita.

Subjuntivo

No Brasil chamamos este modo verbal de Subjuntivo; em Portugal, o mesmo modo se chama Conjuntivo. Em italiano, o termo é Congiuntivo. Ao longo deste bloco usaremos Subjuntivo como termo padrão.

O Subjuntivo é o modo verbal usado para expressar dúvida, hipótese, desejo, emoção ou opinião. Português e italiano compartilham muitos usos desse modo, mas com diferenças importantes que o aprendiz precisa conhecer.

Esta é a divergência mais prática entre as duas línguas, na opinião afirmativa e negativa:

  • Acho que é normal (indicativo) → Penso che sia normale (subjuntivo)
  • Acho que é importante (indicativo) → Penso che sia importante (subjuntivo)
  • Não acho que seja importante (subjuntivo) → Non penso che sia importante (subjuntivo)

Em português, opinião afirmativa usa o indicativo “acho que é”. Em italiano, tanto a opinião afirmativa quanto a negativa usam o subjuntivo “penso che sia”. Este é um dos erros mais comuns de brasileiros em italiano.

Conjunções que exigem Subjuntivo em italiano

Em italiano, certas conjunções exigem obrigatoriamente o subjuntivo, mesmo onde o português usaria o indicativo:

Sebbene / benché (embora)

Sebbene sia tardi, esco (Embora seja tarde, saio)

Affinché / perché (para que)

Te lo dico affinché tu sappia (Digo para que você saiba)

prima che (antes que)

Prima che arrivi, preparo tutto (Antes que chegue, preparo tudo)

A meno che (a menos que)

A meno che non venga (A menos que venha)

Nonostante (apesar de)

Nonostante piova, esco (Apesar de chover, saio)

Subjuntivo Futuro — exclusivo do português

O português tem um Subjuntivo Futuro, modo inexistente em italiano, usado para ações hipotéticas ou condicionais no futuro, especialmente após “quando”, “se”, “assim que”:

Veja a seguir a frase em português europeu, português brasileiro e italiano:

  • Quando chegares, telefona-me / Quando você chegar, me liga → Quando arriverai, chiamami.
  • Se vier, avisa / Se vier, me avisa → Se verrai, avvisami.
  • Assim que terminar, saio / Assim que terminar, eu saio → Appena finirò, esco.

Em italiano, as orações temporais com “quando” usam o indicativo futuro (arriverai), não o subjuntivo. Dizer “quando arrivi” seria um erro em italiano padrão.

Subjuntivo Imperfeito italiano — hipóteses e desejos

O italiano usa o subjuntivo imperfeito (congiuntivo imperfetto) em contextos hipotéticos onde o português usaria o futuro do pretérito:

  • Se fossi ricco, viaggerei → Se eu fosse rico, viajaria.
  • Vorrei che tu venissi → Queria que você viesse.
  • Magari potessi farlo! → Quem dera eu pudesse fazer isso!

Os quatro tempos do Subjuntivo italiano

O italiano tem quatro tempos do subjuntivo, cuja escolha depende da relação temporal entre as orações:

TempoFormaçãoUso
Congiuntivo Presenteche io parliAção simultânea ou futura
Congiuntivo Passatoche io abbia parlatoAção anterior à principal
Congiuntivo Imperfettoche io parlassiHipótese no passado/presente
Congiuntivo Trapassatoche io avessi parlatoHipótese no passado anterior

Futuro

Tanto o português quanto o italiano têm mais de uma forma de expressar o futuro, e a escolha entre elas depende do grau de formalidade, da proximidade temporal da ação e do contexto.

Futuro em português — três formas principais

FormaExemploUso
Futuro SimplesComprarei um celularFormal, escrita, ênfase
Ir + infinitivoVou comprar um celularInformal, fala cotidiana
Presente com valor de futuroAmanhã compro um celularPlanejamento próximo e concreto

No português brasileiro, “ir + infinitivo” é tão dominante na fala que o Futuro Simples ficou restrito à escrita formal e à linguagem literária. Um brasileiro raramente diz “comprarei”, quase sempre prefere “vou comprar”.

Futuro em italiano — também três formas principais

Ao contrário do que se poderia pensar, o italiano também tem alternativas ao Futuro Simples na fala cotidiana:

FormaExemploUso
Futuro SimplesComprerò un cellulareFormal, escrita, certeza
Presente com valor de futuroDomani compro un cellulareFala cotidiana, planejamento próximo
Stare per + infinitivoSto per comprare un cellulareFuturo imediato — “estou prestes a”

O italiano falado contemporâneo usa o presente do indicativo para expressar futuro com muita frequência, assim como o português. Domani vado al cinema (amanhã vou ao cinema) é muito mais natural na fala do que Domani andrò al cinema.

Futuro com valor de probabilidade — uso exclusivo do italiano

Um uso do Futuro Simples italiano que não tem equivalente direto em português é expressar probabilidade ou suposição sobre o presente:

  • Avrà trent’anni → Ele deve ter uns trinta anos.
  • Dove sarà Marco? → Onde será que o Marco está?
  • Sarà vero? → Será verdade?
  • Chi sarà? → Quem será?

Em português expressamos essa probabilidade com “deve ter”, “deve estar”, “será que”, o italiano resolve tudo isso simplesmente com o Futuro Simples do verbo.

Futuro Composto — ação futura anterior a outra

Tanto o português quanto o italiano têm um futuro composto para expressar uma ação futura que será concluída antes de outra:

  • Quando você chegar, eu já terei saídoQuando arriverai, io sarò già uscito.
  • Amanhã às 10h já terei terminadoDomani alle 10 avrò già finito.

O futuro composto em italiano, chamado Futuro Anteriore, é formado com o futuro simples de avere ou essere + particípio passado. As mesmas regras de escolha entre avere e essere que vimos nos tempos compostos se aplicam aqui.

Infinitivo Pessoal

O infinitivo pessoal é uma das características mais únicas e exclusivas do português, entre todas as línguas do mundo, apenas o português e, em menor grau, o galego possuem essa forma verbal. Em italiano, como em todas as outras línguas, o infinitivo é sempre invariável.

O que é o infinitivo pessoal?

É a conjugação do verbo no infinitivo de acordo com o sujeito da ação. Enquanto o infinitivo impessoal é invariável (falar, comer, partir), o infinitivo pessoal se flexiona:

PessoaInfinitivo PessoalExemplo
EufalarÉ bom eu falar a verdade
TufalaresÉ bom tu falares a verdade
Ele/ElafalarÉ bom ele falar a verdade
NósfalarmosÉ bom nós falarmos a verdade
VósfalardesÉ bom vós falardes a verdade
Eles/ElasfalaremÉ bom eles falarem a verdade

Note que as formas da 1ª e 3ª pessoa do singular são idênticas ao infinitivo impessoal, a diferença aparece claramente nas demais pessoas.

Quando usar o infinitivo pessoal

Obrigatório — quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito principal:

  • É preciso falarmos sobre isso → sujeito implícito é nós
  • Pedi para eles virem → sujeito do infinitivo é eles, diferente de eu
  • Antes de sairmos, desligue a luz → sujeito é nós
  • Apesar de serem amigos, discutiram → sujeito é eles

Opcional — quando dá ênfase ou clareza ao sujeito, veja sem infinitivo pessoal e com infinitivo pessoal:

  • Após chegar, me ligue → Após chegares, me liga.
  • Para ter sucesso, estude → Para termos sucesso, estudemos.

Como o italiano resolve as mesmas situações

Sem o infinitivo pessoal, o italiano usa outras estruturas para expressar as mesmas ideias, veja a comparação das línguas e a estratégia italiana:

  • É preciso falarmos sobre isso → È necessario parlare di questo (Infinitivo impessoal)
  • Pedi para eles viremHo chiesto che venissero (Subjuntivo)
  • Antes de sairmosPrima che uscissimo (Subjuntivo com conjunção)
  • Apesar de serem amigos → Nonostante siano amici (Subjuntivo com conjunção)

O italiano resolve com o subjuntivo muitas situações que o português resolve com o infinitivo pessoal. Para o aprendiz brasileiro, isso reforça a importância de dominar o subjuntivo italiano.

Infinitivo pessoal × Infinitivo impessoal — quando NÃO usar

O infinitivo pessoal não deve ser usado quando o sujeito do infinitivo é o mesmo da oração principal, a primeira está incorreta e a segunda forma correta:

  • Quero irmos ao cinema → Quero ir ao cinema (mesmo sujeito: eu)
  • Precisamos de estudarmos → Precisamos de estudar (mesmo sujeito: nós)

O infinitivo pessoal é tão raro entre as línguas do mundo que linguistas o consideram uma das características mais fascinantes do português. Quando imigrantes italianos chegaram ao Brasil e aprenderam português, essa forma verbal era um dos maiores desafios, e ainda hoje é um ponto de dificuldade para qualquer falante de italiano que aprende português.

Além dessas, existem muitas outras diferenças e semelhanças entre as duas línguas. Poderíamos explorar, por exemplo, os falsos cognatos (falsi amici) e as expressões idiomáticas (modi di dire), que enriquecem ainda mais o entendimento e o aprendizado do português e do italiano.

💬 Quer aprender mais sobre este conteúdo?

Conectamos você a professores de diferentes partes do mundo, prontos para adaptar cada aula ao seu ritmo, seus interesses e seus objetivos.

Ver professores disponíveis
Compartilhar: