A bandeira da Albânia é vermelha, com uma águia preta de duas cabeças (bicéfala) no centro. O desenho vem do estandarte de Skanderbeg, o herói nacional que liderou a resistência contra o Império Otomano no século XV. Posteriormente, os albaneses retomaram esse símbolo no movimento que levou à independência, proclamada em 1912.
Descrição oficial e proporções
O desenho atual está definido na lei 8926, de 2002. Ela descreve um campo vermelho-sangue com uma águia bicéfala preta no centro, de asas abertas. Cada asa tem nove penas, e a cauda tem sete.
- Proporção: 5:7 entre altura e largura (ou 1:1,4).
- Cores: vermelho (#FF0000) e preto (#000000).
- Elementos: apenas o campo vermelho e a águia, sem faixas, estrelas ou brasões.
O que significa a bandeira da Albânia
Nas fontes albanesas, o vermelho da bandeira da Albânia representa o sangue derramado pelos antepassados e também está ligado à bravura e à força. Já a águia de duas cabeças representa o Estado soberano da Albânia.
De acordo com a tradição, as 25 penas da águia (nove em cada asa e sete na cauda) lembram as 25 batalhas de Skanderbeg contra o Império Otomano.
Origem: do Império Bizantino a Skanderbeg
A águia de duas cabeças é um símbolo antigo do Império Bizantino. Na leitura tradicional, as duas cabeças representavam as duas capitais do Império Romano, Roma e Constantinopla. Com o tempo, Bizâncio concedeu o símbolo a famílias nobres dos povos que faziam parte do império, entre eles os albaneses, principalmente por meio de casamentos e privilégios.
Na Albânia medieval, a águia aparece nos brasões de famílias como os Kastrioti, os Arianiti, os Muzaka, os Topia e os Dukagjini. Depois de uma vitória em 1370, Andrea II Muzaka recebeu do imperador bizantino João V Paleólogo o título de déspota e um brasão com a águia preta de duas cabeças e uma estrela no centro, sobre fundo dourado. Além disso, é dessa época uma águia bicéfala pintada na parede da igreja de Shën Ndoji, no cabo de Rodon, provavelmente do século XV.
Skanderbeg (Gjergj Kastrioti) adotou a águia a partir do brasão dos Muzaka, mas não se sabe com precisão quando. Depois de abandonar o exército otomano, ele chegou a Krujë em 28 de novembro de 1443 e tomou a fortaleza no mesmo dia. Depois que conquistou outros castelos da região, ergueu sobre Krujë um estandarte vermelho com a águia preta de duas cabeças, segundo o historiador Kristo Frashëri.
No século XIX e no começo do século XX, os nacionalistas albaneses retomaram esse estandarte na campanha pela independência. Em 28 de novembro de 1912, Ismail Qemali ergueu a bandeira em Vlorë ao proclamar a independência da Albânia.
Dois 28 de novembro
A data de 28 de novembro reúne dois marcos da história albanesa: a tomada de Krujë por Skanderbeg, em 1443, e a proclamação da independência em Vlorë, em 1912. O feriado nacional se chama Dita e Pavarësisë (Dia da Independência) e também é conhecido como Dita e Flamurit (Dia da Bandeira).
A bandeira da Albânia no século XX
O desenho básico se manteve, mas cada regime acrescentou algum elemento. No reinado do rei Zog (1928 a 1939), a bandeira ganhou uma coroa. Durante a ocupação italiana, a coroa deu lugar a dois feixes (fasces). Em 1946, o regime comunista acrescentou uma estrela dourada de cinco pontas, retirada em 7 de abril de 1992. O desenho moderno da águia é do pintor Sadik Kaceli, e a lei de 2002 padronizou a bandeira atual.
Etimologia de “flamur” e “shqipe”
- flamur (bandeira): tem paralelos em outras línguas dos Bálcãs, como o grego φλάμπουρο, o arromeno flãmburã e o romeno flamură.
- shqipe (águia): palavra herdada do protoalbanês, ligada a qep (bico). Assim, o sentido original seria algo como “o que golpeia com o bico”. Dela vem shqiponjë, formada com o sufixo feminino -onjë, que também significa “águia”.
Em albanês, a bandeira nacional é o flamuri kombëtar, e o hino nacional, adotado em 1912, se chama Himni i Flamurit (Hino à Bandeira). Para saber mais sobre o idioma, veja o artigo sobre a língua albanesa.
Fontes: Wikipedia em albanês, Wikipedia em inglês e Wiktionary
