Para dizer “eu te amo” em italiano “padrão” você simplesmente diz: Ti amo, mas hoje veremos como dizer “eu te amo” nas outras várias línguas faladas na Itália. Você está pronto?

Lombardo

– Te voeuri ben / Te voeure ben

“Te voeuri ben” ou “Te voeure ben” são as formas mais utilizadas. Também existem as variantes “te voeuli ben” e “te voeule ben”. Em registros mais formais, encontra-se o verbo “amà”, hoje praticamente em desuso.

O lombardo (lombard, lumbard, lumbaart) pertence à família galo-itálica, um sistema linguístico distinto do italiano. É falado principalmente na Lombardia e em partes do Piemonte.

Lígure (Lìgure)

– Te ammo, Ti me piaxi, Te veuggio

Também pertence ao grupo galo-itálico. É falado na Ligúria e em regiões adjacentes (partes da Toscana, do Piemonte e da Emília-Romanha) e, separadamente, em dois enclaves na Sardenha — Carloforte e Calasetta —, onde sobrevive como o dialeto tabarchino.

Catalão (Catalano)

– T’estimo (padrão), Te vull bé (algherese)

O algherese é uma variante do catalão falada em Alghero, na Sardenha.

Piemontês (Piemontese)

– T’veuj bin

A língua piemontesa (piemontèis na língua piemontesa) é uma língua falada no Piemonte (norte de Itália), com estimativas de falantes que variam bastante — de cerca de 700 mil a até 2 milhões, dependendo da fonte, sendo os números mais recentes bem menores que os antigos 2 milhões, já que o piemontês está listado pela UNESCO como língua ameaçada. O Piemontês pertence ao grupo das línguas galo-itálicas (galo-românicas), dentro da família das línguas românicas.

Friulano (Furlan)

– Ti vul ben, ti vuei ben

A língua friulana é um idioma da família reto-românicas falado na região do Friuli-Venezia Giulia, na Itália. Atualmente cerca de 444 mil pessoas falam friulano ativamente em sua região, número que chega a pouco mais de 700 mil se somados os que também compreendem a língua sem falá-la no dia a dia. Quase todos conhecem também a língua italiana, assim como o Vêneto, nas cidades e na parte ocidental desta região.

As primeiras evidências documentais do friulano remontam ao final do século XIII; já os exercícios de tradução do friulano para o latim, da escola notarial de Cividale, datam do século XIV. Esta língua possui literatura florescente desde o século XVII e a comunicação entre as variedades dialetais é compreensível, podem-se identificar três sub-variedades.

Napolitano (Napoletano)

– Te voglio bene assaje

Napolitano (Napulitano) é uma língua românica, falada na cidade e na região de Nápoles, Campânia, e também em parte do sul da Itália, incluindo algumas zonas do Lácio, Abruzos, Molise, Basilicata, norte da Calábria, e o norte e centro de Apúlia.

Em 1976 havia 7 milhões de falantes nativos; estimativas mais recentes (Ethnologue) apontam, na verdade, uma queda para cerca de 5,7 milhões, e a UNESCO classifica o napolitano como língua vulnerável. Por razões geográficas, históricas e políticas, “napolitano” é o nome dado ao grupo de dialetos falados no sul da Itália, historicamente unidos em torno de Nápoles durante o Reino de Nápoles e o Reino das Duas Sicílias.

Se você tiver a curiosidade de conhecer mais da língua napolitana, temos alguns artigos interessantes aqui.

Siciliano

– Ti vogghju beni / Si u me ciatu (você é o meu respiro)

O siciliano (sicilianu) é uma língua românica falada na Sicília e na extremidade meridional da Itália (no Salento e na parte centro-meridional da Calábria). A língua siciliana é distinta o suficiente do italiano comum para ser considerada uma língua diferente, mas reflete culturalmente também a rica história da ilha e do sul italiano, com várias influências da língua grega, latina, e árabe, a normanda, o provençal e o alemão, e a língua francesa, aragonesa, catalã e castelhana.

O siciliano é falado por cerca de 4,7 a 5 milhões de pessoas ao todo, somando a Sicília e a extensão calabresa da língua, com sub-variantes dialetais locais, além de variantes faladas na Apúlia (no Salento) e por comunidades de emigrantes espalhadas pelo resto da Itália e pelo mundo.

Bávaro (Bavarese)

– I hob di gern

O bávaro ou austro-bávaro (Boarisch) é um grande grupo de variações linguísticas do alto-alemão falado por cerca de 12 milhões de pessoas. Embora pertença ao alto-alemão tal como o alemão padrão, não se trata da mesma língua. No entanto, o austro-bávaro e o alemão padrão influenciaram-se mutuamente e a grande maioria dos falantes de austro-bávaro também fala o alemão padrão.

A forma dialetal Austro-Bávara tem suas origens na tribo germânica dos Bávaros, que estabeleceram um Ducado tribal que cobria o que são hoje a Baviera e partes da Áustria, no início da Idade Média. Por influência dos dialetos Românicos dos habitantes pré-germânicos, alguma influência do latim pode ser percebida no léxico e na morfologia. Falado na Áustria, Alemanha (Baviera) e Itália (Tirol do Sul).

Alemão (Tedesco)

– Ich liebe dich

A língua alemã (chamada de tedesco em italiano) também é falada em algumas regiões da Itália — de forma ampla e oficial em Bolzano/Alto Ádige, onde é língua materna de cerca de 70% da população, e de forma bem mais restrita em pequenas ilhas linguísticas isoladas em Trentino (comunidades mochena e cimbra), Friuli-Venezia Giulia (Sauris, Timau) e no Vêneto (poucas comunidades residuais). Tirol do Sul, por exemplo, é uma província autônoma da Itália, que fez parte da Áustria até o final da Primeira Guerra Mundial, e cujos habitantes falam alemão, italiano e ladin, uma língua local.

Francês

– Je t’aime

Viajando pela Itália você também encontrará regiões com forte influência da língua francesa. O Vale de Aosta tem o francês como língua cooficial; já no Piemonte e na Calábria (Guardia Piemontese) o que se fala é o occitano, e na Apúlia (Faeto e Celle di San Vito) é o franco-provençal (arpitano) — línguas aparentadas ao francês, mas distintas dele.

Occitano

– T’aimi / T’estimi

A língua occitana, também denominada occitânica, é uma língua românica falada por uma faixa estimada entre 100 mil e 800 mil pessoas no sul da França (ao sul do rio Loire), Vales Occitanos, Mónaco, e no Vale de Arão, regiões referidas como Occitânia ou País d’Oc. Também é falado na Guarda Piemontesa. Guardia Piemontese é uma comuna italiana da região da Calábria, província de Cosenza, com cerca de 1.867 habitantes.

Emiliano-Romagnolo

– A t vói bän

O emiliano-romagnolo é um grupo de duas línguas (ou muitos dialetos) galo-itálicos falados na região italiana de Emília-Romanha e em San Marino. A língua foi listada como língua minoritária europeia em relatório do Conselho da Europa de 1981 (não deve ser confundido com a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, de 1992, nunca ratificada pela Itália), e conta atualmente com cerca de 2 milhões de falantes.

Sassarese (Turritano)

– Ti vogliu bè

O sassarese ou turritano (sassaresu o turritanu) é uma língua românica que nasceu, segundo alguns especialistas, como língua franca em torno do século XII, com base no toscano-corsa, e com influência das línguas da Ligúria, da Península Ibérica (catalão e espanhol) e também do sardo logudoresi (uma variante da língua sarda). É conhecido academicamente como dialeto sassarese.

É uma língua falada por uma pequena (estimativa de cerca de 100 mil pessoas, citada desde 1999 — não há censo linguístico oficial), mas populosa região norte da Sardenha, principalmente na província histórica de Sassari, que chegou a ter cerca de 470 mil habitantes antes de sua reorganização administrativa em 2025.

Arbëreshë (Albanês)

– Të dua

Arbëreshë é uma variante da língua albanesa, falada na Itália e também se refere ao povo de língua albanesa que vive na Itália meridional. Este grupo étnico estabeleceu-se na Itália entre os séculos XV e XVIII. Os arbëreshë conseguiram manter sua identidade e ainda se autodenominam albaneses. Todavia, à diferença da maior parte dos albaneses, majoritariamente muçulmanos, os arbëreshë são católicos de rito bizantino (sob eparquias próprias, como Piana degli Albanesi e Lungro), e sua língua foi influenciada pelo italiano mais do que qualquer outro dialeto albanês.

Corso

– Ti tengu caru/cara

Língua corsa, Corso (Corsu) ou Córsico é uma língua românica, falada na ilha de Córsega, (França), junto ao francês, o qual é a língua oficial. Um dialeto similar à língua corsa é falado em Gallura, Sardenha (Itália). Ela possui fortes similaridades com o italiano e em particular com dialetos da Toscana. Alguns notam semelhanças fonéticas pontuais com o português, embora isso não seja um resultado consolidado da linguística comparada. É falada por cerca de 100 mil pessoas.

Oralmente, muitas palavras do corso do Norte são mais próximas do português que do italiano. Exemplos: “focu” (pronúncia = fôgo), “basta” (basta), “sò Corsu” (significa “sou Córso”, se pronuncía “só Côrsu”), “cugnata” (pronúncia = cunhada), entre outras.

Vêneto (Veneziano)

– Te vojo ben

O vêneto ou veneziano (na variante brasileira, também denominada talian) é uma língua românica falada por cerca de 3,9 milhões de pessoas, principalmente na região do Vêneto na Itália. A língua é chamada localmente de vèneto (veneto em italiano); a variante falada em Veneza é chamada alternativamente de venesiàn, venexiano ou veneziano.

Ainda que geralmente referido como um dialeto italiano (diałeto, dialetto em italiano), mesmo por seus falantes, ele mostra notáveis diferenças estruturais do italiano. Pertence ao grupo italorromânico setentrional dentro das línguas românicas — sua classificação é debatida: por vezes é agrupado como galo-itálico, mas a Treccani o trata como um caso à parte. Sua variante é chamada no Brasil talian.

Sardo

-Ti stimu

O sardo, sardenho ou língua sarda é uma língua natural românica que se desenvolveu de uma forma peculiar por estar em uma ilha isolada do continente: a Sardenha, na Itália. Durante o domínio romano a ilha foi usada como local de exílio para inimigos políticos e dissidentes religiosos, passando a formar parte do Império Bizantino posteriormente; sofreu incursões árabes recorrentes ao longo dos séculos, sem nunca ser efetivamente conquistada, até ser tomada pela Coroa de Aragão, razão pela qual até os dias de hoje há um enclave de idioma catalão no porto de Alghero. Em 1720 a ilha passou à Casa de Sabóia, formando o Reino da Sardenha, que viria a liderar a unificação italiana apenas em 1861.

A língua conta com pouco mais de 1 milhão de falantes, cerca de 68% da população da ilha, segundo pesquisa sociolinguística da Região Sardenha (2007).

O sardo se subdivide em quatro variantes principais: Logudorês, falado no centro da ilha, na região de Logudoro, que subdivide-se em três subdialetos: meridional ou nuoresa, central e setentrional. Campidanês, na região meridional da ilha. Galurês, na parte nordeste da ilha (Gallura) e Sassarês, na cidade de Sassari e arredores.

Ladino (Dolomítico)

– Te voj massa ben

O ladino dolomítico (ladin) constituiu-se de uma série de dialetos reto-românicos, unidos por estreita afinidade e falados por cerca de 30 mil pessoas no nordeste da Itália, na zona das montanhas Dolomitas, porção oriental do arco alpino, a chamada “ilha linguística ladino-dolomítica”. Os falantes do ladino são todos bilíngues ou trilíngues, pois a língua majoritária das províncias de Trento e de Belluno é o italiano, enquanto em Bolzano é o alemão.


No mapa abaixo, você pode observar a variedade de línguas (ou dialetos) e grupos linguísticos falados na península italiana:


Original: Ti amo in tutte le lingue d’Italia (em italiano)

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