Faça uma viagem linguística pela Alemanha e conheça os dez principais dialetos alemães, as variantes regionais do idioma.

Bávaro (Bairisch)

O temperamento calmo desses alemães do sul aparece também na fala. Saber disso ajuda a desvendar o dialeto bávaro. O bávaro adora abreviar palavrinhas breves e insignificantes num único fôlego. Por exemplo, em vez de “Was möchten Sie denn?” (O que o senhor quer afinal?), ele diz só “Was mächdans?”.

Baixo-alemão (Plattdeutsch)

Alemão do Norte (Norddeutsch) e baixo-alemão (Plattdeutsch) são nomes bem genéricos. Eles designam uma grande família de dialetos do norte da Alemanha, sobretudo do litoral do Mar do Norte e do Mar Báltico. É menos usado nas grandes cidades do norte, mas permanece forte em áreas rurais e no interior.

Saxônio (Sächsisch)

O saxônio se fala principalmente na Saxônia, no leste da Alemanha. Na época da Reforma, formas próximas ao saxônio influenciaram o alemão padrão. Isso se vê sobretudo na tradução da Bíblia de Martinho Lutero, que buscava uma linguagem compreensível em várias regiões. Hoje, muita gente ainda fala Sächsisch. Mas alguns o veem como um dialeto de menos prestígio, e em certos contextos ele constrange quem o fala.

Suábio (Schwäbisch)

O suábio tem fama de pão-duro. O dialeto aparece em partes de Baden-Württemberg e da Baviera. Grande parte da população o usa, em todas as variantes regionais, e a fala econômica é a marca dele. Dizem que economiza até nas palavras, pois é monossilábico e gosta de falar tudo no diminutivo.

O suábio prefere frases curtas, muita redução e diminutivos. Por exemplo, diz Häusle para “casinha”, em vez de Häuschen.

Coloniano (Kölsch)

O dialeto de Colônia não é só uma variante linguística, mas também um modo de vida. Ele é quase tão difícil quanto uma língua estrangeira. Mesmo assim, muita gente quer aprender a tranquila cantilena dos renanos.

Dialeto de Hessen

Na região de Hessen, não existe um dialeto único, mas várias variantes semelhantes compartilhadas por diferentes comunidades. Há 300 anos, a pobreza levou muitos alemães de Hessen a emigrar para a Hungria. Lá, ainda hoje se fala o dialeto hessiano. As gerações mais antigas conservaram certas variantes dialetais, como o Odenwälderisch ou o Stiftsfulderisch. Isso também se aplica, em parte, aos alemães emigrados para a Rússia.

Alemânico

O alemânico vai de Karlsruhe até a Suíça. Ele também aparece na Floresta Negra, na Alsácia e em partes de Liechtenstein, da Áustria e da Itália. Essas regiões compartilham o mesmo dialeto, mas isso não quer dizer que todos se entendam. Diante da ameaça de extinção dos dialetos, há comunidades que se empenham em cultivá-los na escola.

Alsaciano (Elsässisch)

Lutas entre França e Alemanha deixaram marcas profundas. Após a Segunda Guerra Mundial, muitas famílias da fronteira não quiseram ensinar aos filhos um idioma de som tão alemão. Durante muito tempo, o Estado francês tratou as regiões do país com certa reserva, temendo o separatismo. O idioma alsaciano sofreu especialmente com isso.

Hamburguês (Hamburgisch)

A língua original de Hamburgo não é o alemão clássico, mas sim o chamado Plattdeutsch (baixo-alemão). Na época da Liga Hanseática, os dialetos de Hamburgo e Lübeck eram a língua franca do norte da Europa. Quem negociava da Inglaterra à Rússia os entendia. Até a Idade Moderna, o Plattdeutsch era a língua oficial de Hamburgo, falada em inúmeras variantes dialetais.

Berlinense (Berlinerisch)

Além de sua predileção por neologismos, o dialeto berlinense não faz muita questão de declinações e outras regras gramaticais. O dialeto berlinense mistura o “märkisches Platt” (o baixo-alemão de Brandemburgo) com o alemão padrão e o saxônio. Outros ingredientes vêm do iídiche, do holandês e do eslavo.


Fonte: DW

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